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Os melhores do mundo estão de volta às generosas ondas da região | Região de Leiria

Os melhores do mundo estão de volta às generosas ondas da região

Está tudo pronto para os atletas entrarem na água. Montada a estrutura, assim que o mar proporcionar as melhores condições, as pranchas deslizam nas ondas. Amanhã, sábado, arranca o Nazaré Challenge – WSL Big Wave Tour: os 24 melhores surfistas de ondas gigantes testam a força do Canhão, que pela primeira vez leva o circuito mundial à Praia do Norte.

O trabalho para “agarrar” a etapa começou em 2013, dois anos depois de McNamara ter batido o recorde do Guiness da maior onda surfada. Convencer a World Surf League (WSL) não foi difícil, dadas as características da Nazaré. Mas montar a estrutura requereu tempo.

Foto de arquivo: Joaquim Dâmaso

Foto de arquivo: Joaquim Dâmaso

“Com resiliência tudo se consegue”, diz Walter Chicharro, presidente da Câmara da Nazaré, que tem promovido o concelho com o “brinde” que a natureza deu. “Cada vez que o Canhão da Nazaré dispara, os ecos ouvem-se em todo o mundo. (…) A Praia do Norte tem ondas de todos os tamanhos e feitios, para todos os gostos. Tem as maiores do planeta, mas também as mais pequenas, clássicas e perfeitas, que estão ao nível do que melhor existe no mundo”.

O primeiro teste organizativo na Praia do Norte terminou no fim de semana. Pierre Louis Costes venceu a etapa do Nazaré Pro, do circuito mundial de bodyboard. Está garantido regresso da prova no próximo ano - ou não fosse a Nazaré considerada “o melhor beach break [onde as ondas rebentam num fundo de areia] do mundo”. Autarquia e WSL torcem pelo mesmo: que 2017 seja a primeira de muitas etapas do Big Wave Tour.

Para que a competição vá para a água, as ondas terão de apresentar um tamanho entre os 6 e 12 metros, ondas consideradas gigantes pela comunidade surfista. Depois de analisadas as previsões, Peter Mel, comissário do BWT, decide se estão todas as condições reunidas para a competição arrancar. Se evento receber luz verde, os competidores têm 72 horas para largar tudo e viajar até Portugal.

Em prova na Nazaré estarão surfistas como o sul-africano Grant “Twiggy “Bake, atual campeão do Mundo, Greg Long, ex-campeão do Mundo e Garrett McNamara, lenda do surf de ondas grandes e pioneiro na Nazaré. No alinhamento de vinte e um competidores, destaca-se a presença de quatro surfistas portugueses convidados: Alex Botelho, António Silva, João de Macedo e Hugo Vau. O também português Nicolau Von Rupp está na lista de substitutos.

Super e de qualidade
Com anos de experiência e reconhecimento assumido pela organização (WSL) e público, Supertubos Meo Rip Curl Pro Portugal começa terça-feira, dia 18. O surf de elite voltará a Peniche pelo menos mais dois anos e, só neste, são esperados mais de 130 mil visitantes em 12 dias. Supertubos é a penúltima etapa do mundial e pode definir o novo campeão.

Uma das novidades em 2016 é a realização de toda a etapa em Supertubos, abandonando o modelo anterior, que admitia a partilha com Cascais. “É a confirmação que as ondas de Supertubos têm qualidade para que a WSL continue a apostar em Peniche e na região”, refere António José Correia, presidente da Câmara, um dos grandes impulsionadores da modalidade.

O investimento é superior a dois milhões de euros e os números do impacto económico de 2015 devem ser ultrapassados este ano. Só a transmissão na web supera todas as expectativas – quase 43 milhões de visualizações.
Para o autarca, eleito pelos surfistas como “The coolest mayor in the world”, esta poderá ser a última etapa. O mandato termina no próximo ano e, sem possibilidade de se recandidatar, em 2017 assistirá à competição pela primeira vez como um simples (mas bem conhecido) adepto. “Não tenho dúvidas que dei um contributo importante. Mas também se conjugaram fatores que foram potenciados e que podiam não ter acontecido. Quando fizer um balanço da minha vida, esta há de ser uma das marcas que vai ficar”.

Milhões de investimento

Kelly Slater em Peniche (foto de ASP Kirstin)

Kelly Slater em Peniche (foto de ASP Kirstin)

Por estes dias em Peniche abre a primeira loja da Rip Curl e três unidades hoteleiras têm projetos de ampliação ou construção aprovados, investimento superior a 5 milhões de euros a pensar no potencial turístico do surf. Também na Nazaré estão em curso vários investimentos públicos e privados. “É inegável que este nicho de mercado em expansão implica novas oportunidades”, diz Walter Chicharro, certo que mais de 20 mil pessoas vão procurar o Forte de São Miguel Arcanjo nas próximas semanas para ver de perto o melhor surf do mundo.

As duas provas podem decorrer em simultâneo mas isso não é um constrangimento, garantem. “Só traz benefícios. Portugal é isto e Portugal tem que ser isto. Não há fronteiras e muito menos fronteiras entre municípios ou ondas. As ondas têm um potencial diferente e Portugal só pode valorizar isso”, afirma António José Correia. E recorda: “Há dois anos, o pessoal das ondas grandes veio para a Papoa com os surfistas de Peniche; no ano passado, Kelly Slatter e John Parkinson foram até à Praia do Norte”.

Sendo especialista na matéria, quem gostava o presidente da Câmara de Peniche que fosse o vencedor? “[risos] Gostaria era que quem ganhasse a etapa se sagrasse campeão do mundo mas com John John, Gabriel Medina, Matt Wilkinson, tudo pode acontecer. Sou amigo de todos e creio que isso também tem sido a chave do sucesso”.

Marina Guerra
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

(Artigo publicado na edição de 13 de outubro de 2016. Editada para publicação online.)

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