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Passageiro do tempo: Parar o relógio não para o tempo | Região de Leiria

Passageiro do tempo: Parar o relógio não para o tempo

José Manuel Silva, professor/gestor do ensino superior jmsilva.leiria@gmail.com

José Manuel Silva, professor/gestor do ensino superior jmsilva.leiria@gmail.com

O negócio dos táxis reside num instrumento medieval, o alvará, que determina quem pode e quantos podem aceder ao negócio na perspetiva de que um mercado regulado é a melhor solução para assegurar o serviço público.

A primeira vez que pedi um telefone fixo o tempo de espera era de dois anos e meio. Hoje basta ir a uma loja e na hora compramos um telefone e começamos a falar. Ao contrário, os táxis continuam a prestar o mesmo serviço nas mesmíssimas condições de há mais de meio século, exceto a inovação dos radio táxis.

Vem isto a propósito dos últimos desenvolvimentos da luta dos taxistas contra as plataformas digitais que estão a mudar radicalmente o negócio da “mobilidade nas cidades” e a arrasar-lhes o negócio. Compreendo o desespero destes profissionais, que investiram anos e fundos num negócio que agora veem ameaçado, mas o problema não se resolve com soluções do passado, nem com mais regulação.

Tal como os trabalhadores tentaram destruir as máquinas no início da Revolução Industrial Inglesa, os taxistas viram-se contra o que julgam ameaçá-los sem se aperceberem que o inimigo é outro e bem mais poderoso – a evolução das sociedades e a revolução digital em curso.

O negócio dos táxis reside num instrumento medieval, o alvará, que determina quem pode e quantos podem aceder ao negócio na perspetiva de que um mercado regulado é a melhor solução para assegurar o serviço público. A concorrência, nascida no mundo digital e utilizadora das imensas potencialidades dos smartphones, baseia-se na ideia simples de que se há procura de um serviço, cria-se oferta, melhorando o produto e tornando-o mais acessível e cómodo para os utilizadores. O alvará é impotente face ao smartphone.

O resto é o drama da evolução, hoje são os taxistas, como ontem foram outras profissões sacrificadas no altar da modernidade. Não fazer nada não é solução mas fingir que o tempo parou também não. A oportunidade é superar a concorrência, ter melhores viaturas, mais atenção ao cliente, melhores preços. Impossível? Não há impossíveis.

(Texto publicado na edição de 20 de outubro de 2016)

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