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Cimenteira de Pataias aproveita poluição para produzir produtos alimentares | Região de Leiria

Cimenteira de Pataias aproveita poluição para produzir produtos alimentares

Uma década de investigação e 15 milhões de euros de investimento foram os recursos necessários para construir a maior unidade de produção de micro-algas do mundo. A Algafarm aproveita o dióxido de carbono (CO2) da fábrica de cimento Cibra, em Pataias, no concelho de Alcobaça, para produzir micro-organismos destinados a áreas como a alimentação humana e animal e a beleza.

A unidade, inaugurada dia 25 de outubro, tem uma componente de investigação, ao nível da captura e utilização do CO2 proveniente dos gases e combustão da empresa, e uma área de produção e comercialização de micro-algas para diferentes indústrias, um negócio da Allmicroalgae, do grupo Secil.

Na cerimónia de inauguração da produção “a uma escala industrial”, Gonçalo Salazar Leite, presidente da comissão executiva da Secil, que detém a Cibra, descreveu o projeto como “mundial”, na medida em que estabeleceu contactos “da China às Américas”, e nasceu da necessidade de inovação como resposta às questões ambientais colocadas pela laboração da empresa.

“É a maior unidade de produção de micro-algas da Europa e não haverá outra com esta dimensão no mundo”, adiantou Gonçalo Salazar Leite, destacando que permite a redução da emissão dos gases de efeito de estufa (como o C02) e produz micro-algas para fins industriais, com “um potencial enorme a prazo na alimentação humana e animal” e, inclusivamente, na substituição de combustíveis fosseis.

O projeto Algafarm “é português”, está a ser desenvolvido com a colaboração de empresas e instituições de ensino superior nacionais (como o Instituto Politécnico de Leiria) e, segundo o presidente da comissão executiva da Secil, tem “um forte potencial exportador”.

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que presidiu à cerimónia, reforçou a ideia de estarmos perante “um projeto muito inovador à escala mundial”, na medida em que “há vários países a investigar” a produção de micro-algas, mas a Cibra já faz “produção à escala industrial”.

“É interessante o projeto ter desde início os olhos postos no mercado dos produtos e da captura de CO2, face aos exigentes objetivos que nos propusemos atingir na União Europeia”, adiantou Manuel Caldeira Cabral, considerando que as empresas ficam numa “situação de baixa competitividade” se não forem ambientalmente sustentáveis.

A Algafarm “encarna a ideia da economia circular a um nível extremamente avançado”, com “uma capacidade de mercado muito ampla com alguns produtos”, adiantou o governante, frisando que é “o maior projeto de biotecnologia em Portugal nesta área”.

A unidade ocupa 1,2 hectares e tem uma capacidade instalada de 1.300 metros cúbicos de cultura de micro-algas, 90% das quais são exportadas para países como a Alemanha, França, Polónia e Itália e utilizadas, por exemplo, em suplementos alimentares e dietéticos

O processo de produção, de forma simples, é o seguinte: as micro-algas crescem dentro de tubos transparentes com água doce, onde é injetado o CO2. Os micro-organismos transformam o gás em oxigénio, durante o processo de fotossíntese, que é libertado para atmosfera, e o sistema permite o aproveitamento de biomassa e das micro-algas.

As micro-algas (comercializadas sob a marca Allma) podem ser incorporadas na alimentação de animais domésticos, de competição ou em unidades de produção, integrar cosméticos e produtos próprios para usar em SPA, ou na alimentação humana, como ingredientes e suplementos. Já há azeite e biscoitos com micro-algas Allma e o chef Vítor Sobral também as usa em receitas.

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Algas produzidas em Pataias são utilizadas para suplementos alimentares e dietéticos (fotografia: Joaquim Dâmaso)

Carlos Ferreira

(Notícia publicada na edição de 27 de outubro de 2016)

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