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João Melo Alvim: "Ser cônsul-geral adjunto é um desafio enorme" | Região de Leiria

João Melo Alvim: “Ser cônsul-geral adjunto é um desafio enorme”

Aos 39 anos, João Melo Alvim, assume o cargo de cônsul-geral adjunto de Portugal em Paris. Licenciado em Direito, o antigo advogado de Pombal abraçou há alguns anos a carreira diplomática. Ao REGIÃO DE LEIRIA falou sobre esta nova etapa de vida, agora representando Portugal em França. 

O que representa esta nomeação?
A minha colocação no Consulado-Geral de Portugal em Paris decorre do movimento diplomático anual em que se procede à colocação de diplomatas no quadro externo. Trata-se de um concurso aberto a todos os diplomatas que reúnem as condições previstas no nosso Estatuto para se candidatarem à rede externa. No caso, o facto de estar em Lisboa há 3 anos possibilitava-me a candidatura tendo escolhido, de entre os vários postos disponíveis, o Consulado-Geral em Paris como primeira opção. Tendo eu entrado na Carreira em 2013, considerava que seria óptimo poder ser colocado no quadro externo assim que possível, pelo que tendo surgido essa oportunidade, apresentei a candidatura e foi aceite. Juntando isto a ser colocado num posto tão interessante e com uma importância tão grande para Portugal, sinto-me muito satisfeito e estimulado pelo desafio que representa.

João Melo Alvim

João Melo Alvim

Quais as funções de um cônsul-geral adjunto?
Na maioria dos países onde Portugal tem representação diplomática, a representação consular é assegurada pela Secção Consular da nossa Embaixada, mas noutros países (em especial onde a nossa comunidade é mais numerosa), esta é uma entidade autonomizada. No caso de França, por exemplo, há, para além da Embaixada, cinco Consulados-Gerais e um Vice-Consulado. Em Paris, o cargo de cônsul-geral adjunto estava vago há alguns anos, tendo sido novamente ocupado numa lógica de reforçar a capacidade de resposta do nosso Consulado-Geral, que é o maior da nossa rede externa com muitos inscritos (perto de 900 mil). Os cônsules e cônsules-gerais (cargos que no caso da rede externa portuguesa é sempre ocupado por diplomatas) são os responsáveis, num país estrangeiro, pela protecção dos interesses dos seus compatriotas nesse país, não tendo uma função de representação política no que toca a relações bilaterais, que fica a cargo da Embaixada, sem prejuízo de lidar com as autoridades francesas em vários campos. O cônsul-geral de Portugal em Paris, dr. António Moniz, a quem respondo directamente e de quem sou substituto legal, chefia este Consulado que lida, sobretudo, com as necessidades e interesses da comunidade portuguesa e assegura protecção e assistência aos cidadãos portugueses na nossa área de jurisdição, para além de garantir a extensão dos nossos serviços públicos em Paris (Registo Civil, Notariado e Espaço do Cidadão, este desde junho deste ano).

Que desafios representa este cargo?
Atendendo às características deste posto, trata-se de um desafio enorme, em termos pessoais e profissionais, pela exigência que implica, seja garantindo um apoio e participação constante nas actividades da comunidade, seja contribuindo para a qualidade reconhecida dos serviços que a equipa do Consulado-Geral presta.

O facto de França, e concretamente Paris, ser um destino historicamente ligado à emigração portuguesa, e também, sobretudo, a quem partiu de Pombal, tem algum significado especial?
Quem cresceu como eu em Pombal, cresceu com a emigração sempre presente, sobretudo para França, pelo que trabalhar com esta realidade não deixa de ter um gosto especial. Há referências pessoais e profissionais (fruto da minha actividade como advogado) que já tinha antes de entrar na Carreira que espero que sejam úteis no desempenho das funções. A diplomacia implica tanto trabalhar para eleger um secretário-geral da ONU como trabalhar para e com a comunidade portuguesa, assegurando os laços entre esta e Portugal e ajudando a projectar todas as dimensões do nosso país e da nossa cultura.

Que balanço faz do trabalho enquanto adjunto da secretária geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros?Possibilitou-me ter uma perspectiva muito abrangente do funcionamento do MNE que, não sendo um MNE grande em termos de funcionários e orçamento, acaba por ter uma projecção enorme. Trabalhar com a embaixadora Ana Martinho, que confiou em mim e me chamou para integrar no seu gabinete, apesar de eu estar há pouco mais de dois anos no MNE, foi óptimo. Não fiquei muito tempo, uma vez que entretanto fui colocado em Paris, mas não apenas aprendi bastante como considero um privilégio ter trabalhado com uma diplomata tão conhecedora, enérgica e determinada.

Mantém ligação a Pombal? Presta atenção ao que por cá se passa, nomeadamente em termos políticos?
Os meus pais continuam a viver em Pombal, cidade onde se conheceram e onde criaram a família, tenho amigos de uma vida que continuam a fazer de Pombal a sua casa (principal ou secundária), pelo que é inevitável manter a ligação. E, claro, tenho todo o meu passado de participação na sociedade civil, pelo que vou acompanhando, na medida do possível e sem estados de alma, a vida política do concelho.

ML

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