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Associativismo ambiental em Leiria ainda está longe da média nacional | Região de Leiria

Associativismo ambiental em Leiria ainda está longe da média nacional

Leiria recebe até ao próximo sábado, uma conferência internacional sobre ambiente. O debate ocorre numa capital de distrito que ao longo dos anos vem enfrentando vários desafios ambientais. Seria, pois, de supor que a participação cívica no associativismo ambiental fosse especialmente forte entre nós, certo? Errado.

 

Os problemas ambientais na região são antigos mas o nível de adesão ao associativismo está longe da média nacional Foto: Arquivo/Joaquim Dâmaso

Os problemas ambientais na região são antigos mas o nível de adesão ao associativismo está longe da média nacional (fotografia de arquivo: Joaquim Dâmaso)

 

Especialistas de vários pontos do globo estão desde ontem na cidade para debater algumas das mais relevantes questões nesta área. Trata-se do II Congresso Internacional “Educação, Ambiente e Desenvolvimento”, organização conjunta da OIKOS e do Instituto Politécnico de Leiria.

“As sociedades contemporâneas, os modelos de desenvolvimento em curso e os problemas deles resultantes, com particular destaque para os desastres ambientais que se vêm agravando, justificam reflexão aprofundada”, adianta a organização do evento que durante quatro dias debate algumas das questões ambientais da atualidade. A socióloga Luísa Schmidt, o economista Rogério Roque Amaro ou Marília Torales, vice-presidente da Associação Internacional de Pesquisadores em Educação Ambiental, são alguns dos oradores.

O debate ocorre numa capital de distrito que ao longo dos anos vem enfrentando vários desafios ambientais. Seria, pois, de supor que a participação cívica no associativismo ambiental fosse especialmente forte entre nós, certo? Errado. Os dados mostram que por cá, a adesão ao associativismo ambiental está bem longe da média nacional.

José Gomes Ferreira, autor do livro “Saneamento básico: Factores sociais no insucesso da despoluição da bacia do rio Lis”, publicado em junho, lembra que a “visibilidade mediática e atenção pública não têm obrigatoriamente correspondência na mobilização dos cidadãos e na priorização do tema na agenda política”. No entender deste investigador, “mesmo que assim fosse, sabemos ser a baixa predisposição dos portugueses em participar na defesa de causas públicas”.

José Gomes Ferreira, sociólogo, estudou as razões do insucesso das políticas nacionais de saneamento básico, com especial enfoco na bacia hidrográfica do Lis

José Gomes Ferreira, sociólogo, estudou as razões do insucesso das políticas nacionais de saneamento básico, com especial enfoco na bacia hidrográfica do Lis

Efetivamente, em 2015, em Portugal existiam 20 associados das organizações não governamentais de ambiente por cada mil habitantes, revela o Instituto Nacional de Estatística. Em Leiria, esse rácio era de apenas seis associados. Ainda assim, Leiria não é a capital de distrito com menor peso no número de associados a organizações ambientais (em Viseu, Guarda e Castelo Branco, Beja e Braga, por exemplo, o valor é zero) mas está longe dos 297 associados por mil habitantes de Lisboa. Ou dos 365 associados por mil habitantes registados em Manteigas, município que apresenta o mais elevado valor a nível nacional.

É a Oikos, associação ambiental sedeada em Leiria, com vários anos de trabalho no terreno, a entidade que volta a promover o debate internacional, colocando Leiria no mapa da reflexão académica sobre o ambiente. Agora sem os holofotes mediáticos apontados.

Mas quando o problema ambiental surge, a mediatização acontece, sobretudo graças à “existência de protagonistas e de um canal aberto com a comunicação social que garante maior audiência e a manutenção do problema na agenda pública”, aponta José Gomes Ferreira.

O investigador tem trabalho realizado que aborda a cobertura mediática sobre a questão ambiental em Leiria. No que se refere à muito visível questão da ribeira dos Milagres, considera que esta “não ganhou destaque regional por ser um problema de poluição, mas sim por desgastar a imagem de uma região com história e com um tecido empresarial reconhecido”.

O caso acaba mesmo por registar um certo grau de banalização: “a banalização da tragédia ambiental preenche as primeiras páginas dos jornais regionais e chega aos nacionais”, aponta. Do mesmo modo, “quem tutela a pasta do ambiente tem sucessivamente passado por Leiria”. Sucede que “o excesso de visibilidade alimenta o conformismo e arrasta o problema sem que se encontrem soluções”.

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A poluição na Ribeira dos Milagres coloca Leiria, frequentemente, na agenda mediática (fotografia de arquivo: Joaquim Dâmaso)

 

Para José Gomes Ferreira, entre os fatores que contribuem para esta situação, destaca-se “o comprometimento das populações e dos decisores com o processo e o desinteresse das elites, que se preocupam com a degradação da imagem da região, mas no que toca à contaminação ‘não querem sujar as mãos’”.

Ainda assim, a Região de Leiria (que abarca os concelhos do distrito entre Porto de Mós e Castanheira de Pera) conta, em média, com uma associação ambiental por cada cem mil habitantes, em linha com a média nacional. Ou seja, não há falta de entidades associativas preocupadas com o ambiente, mas antes um aparente desinteresse cívico em participar de forma associativa.

Há ainda o papel da comunicação social que, entende este especialista, é nesta região um “protagonista improvável”. “A comunicação social posiciona-se como militante na forma persistente como agenda a temática ambiental e a leva aos leitores, dando-lhe visibilidade e intensidade”, refere.

José Gomes Ferreira recorda ainda que existem associações ambientais a nível nacional “representadas em praticamente todo o território, acaba por preencher algumas lacunas e, de alguma forma, esgotar o espaço participativo de outros movimentos que venham a surgir”.

Há ainda outras associações que não estando ligadas ao ambiente “mobilizam em momentos estratégicos”. Por outro lado, “é comum o surgimento de movimentos ad hoc, geralmente informais, geograficamente localizados e de existência breve, que geralmente ficam fora das estatísticas”.

CSA

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