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Tempo incerto: Sinais do vazio | Região de Leiria

Tempo incerto: Sinais do vazio

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

Nos nossos dias, a política vem-se transformando num espectáculo, demasiadas vezes grotesco, onde a imagem e o ruído das redes sociais se sobrepõem a qualquer debate sério sobre a sociedade e os seus problemas, a par da contínua degradação da confiança dos cidadãos nos seus representantes e nas instituições, o que volta a abrir o caminho ao populismo e à demagogia, que se alimentam dos vícios gerados pelo sistema.

As democracias são regimes frágeis onde nada está perpetuamente garantido. As últimas eleições presidenciais nos EUA são um bom exemplo disso.

Quando os políticos esquecem as suas responsabilidades, abdicam das suas convicções, se tornam reféns da plutocracia e enveredam por todo o tipo de esquemas clientelares e caciqueiros para se manterem no poder, quando não são agentes activos das negociatas e da troca de favores promíscuos, perde-se o sentido da decência e abre-se a porta para o desencadear de um discurso anti-sistema. A política está cada vez mais igual a um vulgar "reality show", um modo de entretenimento que não costuma primar por uma linguagem de verdade nem pela  exaltação das virtudes de um carácter nobre sedento de sabedoria.

Vivemos um tempo dominado pela especulação financeira e o trivial, onde o bem e o mal se relativizam e diluem, onde os valores humanistas intemporais deram lugar ao "valor do mercado" e ao lucro a qualquer preço, à custa da vida da maioria da população.

No caldo cultural e político que se vem formando, reforçado pelos efeitos perversos de uma globalização desregulada, as ameaças à segurança colectiva, a crise económica e a crescente perda de identidade nacional, não é de estranhar que surjam os políticos demagogos que estão contra a política e se afirmam como os únicos capazes de nos salvarem das tempestades que se avizinham.

O discurso que produzem alimenta-se do ressentimento e da frustração de diversos sectores sociais. Utiliza uma linguagem simples e muitas vezes cruel, desprovida de valores ético-morais, mas capaz de canalizar alvos para apaziguar o infortúnio real ou imaginário de cada um e de condicionar a opinião pública, através da mentira, da propaganda e do apelo a comportamentos irracionais, destrutivos e xenófobos.

Agora, mais do que nunca, era bom não esquecer o rasto trágico do totalitarismo no século XX e o que o alimentou!

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Texto publicado na edição de 24 de novembro de 2016)

 

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