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Opinião: A originalidade da Alta Estremadura | Região de Leiria

Opinião: A originalidade da Alta Estremadura

O prestigioso jornal “Região de Leiria” inicia uma página dedicada à Etnografia e ao Folclore regionais. O que faz todo o sentido tendo em conta que a Alta Estremadura, que tem Leiria por capital histórica, é uma das regiões etnográficas do nosso País mais bem definidas. Há uma nítida fronteira a Norte, no concelho de Pombal, pelo paralelo 40, e uma invulgar riqueza de aspectos distintivos, hoje particularmente preservada e cultivada por dezenas de agrupamentos folclóricos. A fronteira do Leste corre no concelho de Ourém e a do Sul no concelho do Bombarral, onde começa a sentir-se a cultura saloia, uma das variantes do espaço estremenho. A Oeste está o mar.

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José Travaços Santos, etnógrafo

O Folclore, contrariamente ao que ainda se diz, não é uma feira de velharias, mas sim um exercício de distinções que nos merecem cuidados que as investiguem e expliquem. E, sobretudo, que as conservem e divulguem. A riqueza cultural do mundo está na sua diversidade. A uniformidade, para que se tende e que parece querer impor-se, é um lamentável acto de empobrecimento e de irreversível extinção da criatividade popular.

Na sua obra “Folclore”, publicada em 1971, o dr. Pedro Homem de Mello, dando-se conta de que abaixo do paralelo 40 se começa a outra metade etnográfica de Portugal, diz no capítulo “A Fronteira de Pombal”:

“(...) Em Pombal viramos completamente as contas à Beira Alta, aos Campos de Coimbra, às Terras da Maia e da Feira, ao Douro, a Trás-os-Montes e ao Minho. (...) Em Pombal, a ondulante e aérea volta minhota dá lugar a outra mais apertada, menos livre - corpo-a-corpo (o rodopio!) em que o bater do pé, másculo mas breve, serve de ponto de partida… (...). Fronteira folclórica (repetimo-lo de uma vez para sempre), Pombal (assim como Soure) representa, irrefutavelmente, a chave que nos abre as portas da coreografia do Sul (...)”.

Ora, é isto, a originalidade da Alta Estremadura nas danças, nas músicas, nos trajos, nos cantares, nos hábitos e, inclusivamente, nos seus barcos que, na Nazaré principalmente, alcançam o estatuto de peças únicas no mundo, e o seu enquadramento no espaço etnográfico nacional, que irá informar uma págica que será, com certeza, uma feliz novidade no que respeita a uma das vertentes da Cultura, a Cultura Popular, tantas vezes desleixada e menosprezada entre nós.

José Travaços Santos
etnógrafo

(versão integral do artigo publicado na edição de 9 de dezembro)

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