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Tempo incerto: A ilusão | Região de Leiria

Tempo incerto: A ilusão

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

Os resultados positivos revelados pelo PISA 2015 não devem fazer esquecer os problemas que afectam a escola pública e o ensino em Portugal. Devemos recordar as baixas médias obtidas nos exames nacionais e como elas reflectem os sinais da crise interna, a que acrescem elevadas taxas de insucesso e de abandono escolar, o que devia evitar qualquer ilusão.

O ensino tem sido transformado num laboratório experimental, repleto de modismos, para onde se projecta tudo e mais alguma coisa, sob o exótico nome de política educativa.

A escola é cada vez mais uma instituição conformista e conservadora onde muitos alunos e demasiados professores se sentem desconfortáveis, estes sob o manto asfixiante da burocracia e das longas horas de permanência sem sentido. Uma escola onde quase tudo se reduz à construção de evidências e de papeladas, que reconfortam os planificadores centralistas na satisfação das metas, que não deixam de ter um sabor estalinista na construção dos resultados.

Uma escola que fala em autonomia e em cidadania, mas que é incapaz de a praticar, até pelo esvaziamento cultural e pedagógico que esbate a liberdade criadora e onde os alunos se sentem incapazes de assumirem os seus modos de agir, de pensar e os professores se vêem a envelhecer na rotina de todos os dias e na falta de horizontes.

Uma escola onde se vão perdendo os valores de referência e a dignidade institucional, mas onde o discurso ideológico cumpre a sua função mistificadora. Uma escola que sabe formatar, mas demasiadas vezes é incapaz de acolher o espírito inovador que faz a diferença.

Uma escola infantilizadora, onde não se ensina a pensar, a reflectir, a criticar, a discordar e onde o saber se reduz ao que consta dos manuais, quando não ao "PowerPoint" produzido por uma qualquer editora.

Uma escola do faz de conta para vereador ver ou para o ministério apreciar e se congratular pelos objectivos alcançados, através de programas curriculares extensos, às vezes pretensiosos, pouco dados à diversidade das aprendizagens e à maturação do conhecimento.

Conforme confessa o ex-ministro da Educação, Nuno Crato, "os ministros têm um potencial gigantesco para estragar". Talvez fosse bom pararem todos para pensarem no que têm andado a fazer.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

 

(Texto publicado na edição de 15 de dezembro de 2016)

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