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Barreiras Duarte escreve a Passos Coelho e queixa-se de processo "desnecessário" | Região de Leiria

Barreiras Duarte escreve a Passos Coelho e queixa-se de processo “desnecessário”

Fernando Costa e Tinta Ferreira foram confirmados pela distrital do PSD como cabeças de lista às câmaras de Leiria e de Caldas da Rainha, respetivamente. A Comissão Política Distrital de Leiria reuniu na passada segunda-feira tendo aprovado por maioria, com 13 votos favoráveis o nome de Fernando Costa e com 19 votos a recandidatura de Tinta Ferreira, num total de 20 votantes.

Feliciano Barreiras Duarte

Feliciano Barreiras Duarte

O PSD adianta em comunicado que aprovou as propostas apresentadas pelas concelhias, como estabelecem os estatutos, e que dará conhecimento aos órgãos nacionais da deliberação para ratificação.

A aprovação da candidatura de Fernando Costa veio aparentemente colocar um ponto final num processo que se anunciava pouco pacífico, nomeadamente depois de Luís Marques Mendes ter avançado, em outubro, o nome de Feliciano Barreiras Duarte como potencial candidato a Leiria e da divulgação, em novembro passado, de um estudo de opinião que colocava o deputado do PSD no topo das preferências de entre quatro nomes sugeridos.

O assunto abalou os bastidores da estrutura partidária e levou Feliciano Barreiras Duarte a escrever uma carta a Pedro Passos Coelho, presidente do PSD. Uma cópia da carta foi enviada pelo deputado à distrital e marcou a reunião desta semana, ampliando as críticas em torno do candidato a Leiria.

“Qualquer pessoa bem intencionada e que teve a postura que eu tive neste processo, ficaria com razões para se sentir desiludida e ofendida na sua honra pessoal e política”, refere Barreiras Duarte na missiva.

Naquela comunicação, Feliciano Barreiras Duarte desvenda as inúmeras manifestações de apoio para que assumisse uma candidatura em Leiria e queixa-se de um processo que considera ter sido “desnecessário”.

“Era desnecessário o nosso partido me ter incentivado, convidado e na prática me ter aprovado como o candidato a apresentar, colocando-me numa espécie de espera duradoura para tudo ser homologado e tornado público”, refere o deputado. “Era desnecessário, porque nunca pedi a ninguém para ser o candidato” e “nunca pedi apoios dentro do PSD, quer a nível nacional, distrital ou local, para que tal viesse a acontecer”, acrescenta.

 

 

Leia a carta na íntegra

"Excelentíssimo Senhor Presidente da Comissão Política Nacional do PSD
Dr. Pedro Manuel Mamede Passos Coelho

Assunto: Eleições autárquicas no concelho de Leiria

Pedro,
Dirijo-me a ti, como Presidente da Comissão Política Nacional do PSD, no seguimento das nossas conversas sobre a escolha do candidato do PSD, no concelho de Leiria, para apresentar nas próximas eleições autárquicas de 2017, para informar que considero, que de todo este processo, era desnecessário, o nosso partido me ter incentivado, convidado e na prática me ter aprovado como o candidato a apresentar, colocando-me numa espécie de espera duradoura para tudo ser homologado e tornado publico. E dirijo-me a ti depois de nós, nos últimos meses, termos falado várias vezes sobre o assunto. Era desnecessário, porque nunca pedi a ninguém para ser o candidato. Nunca pedi reuniões contigo, nem com a coordenação autárquica (individualmente ou colectivamente com alguém ou com todos os seus membros). E nunca pedi por escrito ou por outras vias apoios dentro do PSD, quer a nível nacional, distrital ou local, para que tal viesse a acontecer.

O mesmo, posso referir, em relação à Comissão Distrital de Leiria do PSD. Nunca pedi nem ao seu Presidente Rui Rocha, nem a qualquer um dos seus membros, apoios para que tal viesse a acontecer. Antes pelo contrario. O que aconteceu sobretudo desde o inicio do ano de 2016, foi que várias pessoas do nosso partido, de outros partidos políticos e várias pessoas de Leiria concelho e distrito me sensibilizaram, me incentivaram e manifestaram apoio, para que eu me disponibilizasse, para ser o candidato do PSD à Câmara Municipal de Leiria em 2017.

Invocando vários tipos de argumentos. Como por exemplo que Leiria concelho e distrito, precisa de entrar num novo ciclo político, de Leiria ter uma voz diferente, no plano nacional. Que precisa de alguém que o país claramente identifique com o concelho e as suas causas, mas que tenha experiencia governativa e currículo político e não político, diversificado. 

Muitos, recordando, a minha participação ativa nas principais causas do concelho, e da região as minhas propostas, os meus livros e trabalho pelo distrito, nas ultimas quase três décadas. A tudo fui resistindo. Dizendo que deveriam em unidade escolher outra pessoa. E dei sugestões de nomes de homens e de mulheres. E disponibilizei-me como sempre, para colaborar. Para essa unidade e sobretudo na parte programática e estratégica. Tendo inclusive sugerido a necessidade de o PSD em Leiria criar uma plataforma alargada no âmbito dessa candidatura, a vários partidos políticos e movimentos cívicos.

Mas, a partir do passado mês de Junho, o incentivo, a sensibilização, os pedidos para aceitar ser o candidato, aumentaram. E desde aí até ao mês de Novembro, vários factos aconteceram nesse sentido. Dos quais, julgo pertinente e em coerência recordar alguns (porque como te recordarás faço diários há décadas e tenho tudo registado e até fundamentado e disponibilizo-me caso o entendas para te explicar isso de forma mais pormenorizada):

• No dia 6 de Junho, realizou-se em Leiria, uma reunião da Coordenadora Autárquica nacional, com a Comissão Política Distrital de Leiria e com todas as Comissões Politicas de Secção dos 16 concelhos. Nesta reunião o Presidente da Coordenação Autárquica Nacional, Carlos Carreiras, de entre outras coisas, destacou que as capitais de distrito na escolha dos seus candidatos iriam ter um acompanhamento especial. E chamou a atenção, que não fazia sentido, as Comissões Politicas de Secção andarem a aprovar critérios e perfis, que contrariassem, os critérios e os perfis, decididos pelos órgãos nacionais, como determinam os estatutos do PSD. Neste dia, quer o Dr. Carlos Carreiras, quer o Secretário-geral Matos Rosa, por várias vezes, à semelhança de outros companheiros e companheiras, falaram comigo, para eu me disponibilizar e aceitar ser candidato.

• Durante o mês de Julho e o mês de Agosto (e tenho esses registos) por várias pessoas, dirigentes da Coordenação Autárquica Nacional, da Comissão Política Nacional, da Comissão Política Distrital de Leiria, Presidentes de Câmaras do PSD do Distrito de Leiria, autarcas e demais militantes e não militantes do PSD de Leiria, insistiram para falar comigo, para me oferecer apoio, incentivarem-me e até exigirem uma decisão rápida, porque era necessário começar a trabalhar a partir de Setembro. Conversas todas elas, que decorreram sobretudo em Leiria, em Lisboa e até no Algarve, durante alguns dias do mês de Agosto.

• Enquanto tal ia acontecendo eu fui chamando a atenção, que era preciso saber, como iriam por exemplo compatibilizar isso, com a vontade do Presidente da Concelhia de Leiria do PSD em ser o candidato mais uma vez. A resposta foi quase sempre a mesma. De que não me metesse nisso. Que teria de estar por cima disso. Que já tinham falado com ele várias vezes, avisando-o de que não seria o candidato e que a Coordenação Autárquica Nacional tratava disso com a Comissão Política Distrital.

• Em Setembro, como te recordarás, em Coimbra, falaste por tua iniciativa comigo, sobre o assunto. E na pratica disseste que se eu aceitasse teria da tua parte e da Comissão Política Nacional todo o apoio, que era importante ganhar Leiria e que ficarias muito agradado com essa minha eventual candidatura. E chamaste-me a atenção para
ter cuidado com as tradicionais divisões internas do PSD de Leiria e para eu perceber o melhor possível, tudo quanto se referisse a isso.

• Após essa tua conversa comigo em Coimbra, vim a saber e a constatar que tiveste conversas com pessoas da tua Comissão Política Nacional, dando conta que se eu me disponibilizasse para ser o candidato deveria ser dado apoio a essa candidatura. Aliás, foram vários os membros de órgãos nacionais e sobretudo da CPN, que me  passaram a partir dessa altura a incentivar e perguntar quando é que eu decidia a candidatura.

• No dia 20 de Setembro, realizou-se uma reunião em Lisboa, na sede nacional entre a Coordenadora Autárquica Nacional e a Coordenadora Autárquica Distrital (nesse dia foram aliás vários os distritos que participaram nesse tipo de reuniões) e na presença de membros da Coordenação Autárquica Nacional, de Carlos Carreiras, José Manuel
Matos Rosa, Álvaro Amaro, Alberto Santos e Vera Penedo do secretariado e de Rui Rocha, Fernando Tinta Ferreira e de eu próprio da coordenadora Autárquica Distrital, o caso de Leiria, ficou fechado. Com Carlos Carreiras a dizer, Leiria está resolvido. É o Feliciano. Vamos deixar passar as eleições dos Açores. E agora “Feliciano tens é de ir para o terreno.” Como vários dos presentes se recordarão eu interroguei “mas porquê já?”. E Rui Rocha, perguntou “se já falaram, conforme o combinado, com o Presidente da Comissão Política de Secção de Leiria?” “e o Fernando Costa que quer muito ser o candidato?” a estas e outras questões, foram respondidas varias coisas. Desde “o Feliciano não tem que se meter nessas coisas”, “nós Feliciano Barreiras Duarte tratamos”, “o Feliciano tem de estar acima dessas mercearias”, “o homem da Concelhia nunca será candidato”, “o Fernando Costa já sabe que não será. Se quiser vá por Alenquer”, etc., etc. Nessa reunião o Presidente dos ASD, Álvaro Amaro, pertinente perguntou, se existiam estudos, sondagens sobre Leiria. E sobre o distrito de Leiria nessa reunião apenas ficou destacado que era preciso resolver com urgência o caso do concelho de Pombal.

• E coincidentemente, foi feita uma sondagem, por uma das empresas do mercado mais reputadas, que nos seus resultados, deu qualitativa e quantitativamente, que eu seria o candidato com melhores intenções de voto em Leiria. O mesmo não acontecendo com outros candidatos também testados. Essa sondagem foi feita com conhecimento da
Coordenadora Autárquica Nacional, enviada posteriormente para a Coordenadora Autárquica Nacional e registada na ERC com conhecimento e concordância, sobretudo do Secretário-geral do PSD.

• É curioso, que a empresa em causa, antes de serem do domínio público, os resultados dessa sondagem para Leiria, foi contactada para lhe serem pedidos preços para encomendas de sondagens por parte de Fernando Costa. Tendo pedido a essa mesma empresa preços para sondagens, para Leiria, outra para Caldas da Rainha e outra para Alenquer. Ao que lhe foi dito, que só trabalhavam para um só cliente no mesmo concelho e que por isso para Leiria já não seria possível uma sondagem ser feita para outro cliente. Mas que para Caldas da Rainha e para Alenquer haveria disponibilidade.

• E não posso deixar de referir neste particular, da sondagem para Leiria, que a empresa era boa e a escolhida para fazer sondagens em vários concelhos, mas após se saberem os resultados de uma sondagem de Leiria, passou de boa a não credível, vá-se lá saber porquê. Será porque quem queria encomendar ficou revoltado por a sondagem não lhe dar bons resultados?

E Pedro,

• Até inicio de Novembro, pediram-me para aguardar. E para trabalhar em coisas mais discretas, como questões programáticas e questões de estratégia e que mantivesse os contactos com o CDS/PP. E para não fazer comentários, sobre a candidatura. E que estavam a tratar tudo com a concelhia. Que não me metesse nisso. Tinha de estar acima disso. Mas o tempo foi passando. E a JSD de Leiria fez um comunicado a vilipendiar-me. E voltaram a pedir para eu me conter. Que isso ia passar. Que fazia parte desse tipo de processos. E justiça seja feita, ao Secretário-geral José Matos Rosa, que me prestou solidariedade, a sós e junto com outras pessoas sobre esse tipo de ataque público, vil e cobarde. Por mais do que uma vez até assisti a conversas sobre a matéria da sua parte na Assembleia da República.
E vim a saber, que por mais do que uma vez, chamou a atenção a dirigentes da JSD Nacional sobre esse comunicado ignóbil.

• Mas, o tempo foi passando. As pessoas insistindo. E até familiarmente começaram as justas interrogações. Então nunca mais é dada a conhecer a decisão?

• E eis, que em Novembro, a Comissão Política de Secção do PSD de Leiria, na linha do referido comunicado da JSD, aprova uma moção contra a minha pessoa, e aprova um perfil, todo ele a ajustar-se ao seu Presidente e vereador. Com surpresa para alguns e não tanto para outros, no dia 22 de Novembro, a Comissão Política de Secção do
PSD de Leiria, sugere o nome de Fernando Costa para candidato. Curiosamente ao arrepio do perfil que tinha aprovado no verão e também no mês de Novembro. Vá-se lá saber porquê. Aliás foi nesses dias bem vistoso o que o Facebook que o candidato entretanto sugerido referiu dizendo que tinha ganho a candidatura a outra candidatura existente.

E Pedro

• Como te recordarás, no passado dia 23 de Dezembro, sexta-feira falaste mais uma vez comigo sobre este assunto. E tenho bem presente o que me disseste e o que pediste. E tenho ainda bem presente, o que sugeriste quanto à surpresa que tiveste em relação a outra candidatura e a outro candidato. E ainda me lembro bem das hipóteses que levantaste para que tal fosse resolvido e alterado.

• Mas, considero que há um tempo para tudo. E com a sinceridade e a frontalidade de sempre, quero informar-te que agradeço o teu apoio de sempre, neste processo, as tuas intenções de contribuir para uma candidatura de futuro, mobilizadora, esclarecedora e agregadora em Leiria. Mas considero, que o processo, não foi nos últimos meses, tratado como deveria ter sido. Comigo, ou com outra pessoa no meu lugar. Sei, que neste particular, tu não és o responsável por tudo o que sucedeu nos últimos quase dois meses. Aliás, estou convicto, que se o soubesses antecipadamente, o desfecho teria sido outro. Não duvido disso. Antes pelo contrario.

• Ao contrario de outros, nunca pedi nem nunca manobrei nada nem ninguém para ser o candidato à Câmara Municipal de Leiria. Outros como se percepciona, fizeram-no. Bateram a todas as portas, como sempre o têm feito. Manobrando. Omitindo. Dividindo. Promovendo ataques pessoais e alimentando-os publicamente, para denegrir a
honra e a imagem. Que é onde nos dói mais. Me dói mais. E sendo eles partes de minorias, mesmo que formais, gostam de se arvorar em maiorias, e que tudo só é correto desde que as suas vontades perdurem. E para eles o que conta é o resultado final e os meios são secundários.

• É por tudo isto, que não poderia deixar de me dirigir a ti, nestes termos, porque deves sabê-lo e por escrito, apesar das nossas conversas sobre o assunto, ocorridas.

• Se isto tudo aconteceu para eu servir de cobaia, para alguma coisa, registo-o. E não o esquecerei. Se não foi, no mínimo ficará como um processo pouco coerente e positivo.

• Sei, que quase sempre quem está no exercício das funções de Deputado da Assembleia da República foge como o diabo da Cruz de ser candidato às autárquicas. Não foi o meu caso. Não tenho duvidas que qualquer pessoa bem intencionada e que teve a postura que eu tive neste processo, ficaria com razões para se sentir desiludida e ofendida na sua honra pessoal e política. Darei nota desta missiva à Comissão Política Distrital de Leiria do PSD, porque também recebi da esmagadora maioria dos seus membros, de onde destaco o seu presidente Rui Rocha, o incentivo e o apoio desde a primeira hora. Aliás bem como da generalidade dos autarcas e Presidentes de câmara municipal do PSD do distrito de Leiria. Que não divido que unidos como estamos, cm base num projeto político de futuro, quer para o distrito de Leiria quer para o PSD, iremos vencer de forma clara as eleições autárquicas de 2017 do distrito de Leiria.
Despeço-me com a amizade de sempre.
Com um abraço
Feliciano Barreiras Duarte"

Uma resposta para “Barreiras Duarte escreve a Passos Coelho e queixa-se de processo “desnecessário””

  1. Quim Zomba diz:

    Coitado do (in)Feliciano! Um indivíduo que nunca manobrou nada, que não precisa da política para viver e que escreve livros a metro, fazerem-lhe uma destas… Leiria ficou a ganhar, não que o F. Costa seja melhor que este, mas porque o R. Castro tem agora uma passadeira vermelha estendida até aos Paços do Concelho, bastando-lhe estar quieto até às eleições… Um conselho ao Castro: aproveita para te libertares do Gonçalo (um Nanito do PS) e terás o melhor resultado de sempre.

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