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Necrologia

Manuel da Mota Gaspar


11 de Setembro 2010 em Agodim
Morre um poeta nas Colmeias
Manuel da Mota Gaspar (o serranito da Muda) morre aos noventa e três anos deixando assim este lugar mais pobre e triste, pois ele era portador de uma cultura popular impar e de realçar, apesar de quase não ter frequentado o ensino escolar, teve como pilar um mestre e ídolo seu tio o Sr. Mota o Boticário de Agodim, já em adulto se propôs aos exames da terceira e quarta classe, demonstrando o seu gosto pela cultura, dando origem a que este homem tenha deixado um espólio de versos, quadras e testemunhos sobre familiares, monumentos, locais ou até festejos. A família directa, como forma de agradecimento a todos os quantos nestes dias demonstraram das mais diversas formas os seus pêsames nesta hora de tristeza partilhamos trechos dos seus manuscritos.

Chafariz da MUDA

Do Porto a Lisboa
Não havia outra fonte assim
Fresca e água boa
No sítio de Agodim

Secaram-te, triste sena
Eu aqui neste cantinho
Tive imensa pena
Porque da tua água, fazia vinho

Lá diz o velho do monte
Matar nem sempre é desgraça
Que mal faz esta fonte
Matar a sede a quem passa

Trasladada sozinha e triste
Ainda resiste na beira da estrada
A nossa memória não esquece
A água fresca que ai tirava
Incompleto

Marcha de Agodim

Agodim terra afamada
Terra de encanto
Terra de amor
Agodim vai ser coroada
Ou minha amada
Com tanta flor (refrão)

Nesta marcha de amores
Agodim a todos ama
Só o perfume das flores
Apagaria esta chama

O povo já cantou
Também nós vamos cantar
Hoje Agodim parou
Para ver a marcha passar
Incompleto

   
Partiu mas estará sempre presente