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Necrologia

Amélia Pais: Ela ensinou Leiria a amar Camões

Natural de Fornos de Algodres, faleceu sábado, dia 26, a professora de português e escritora, Amélia Pinto Pais. A professora e escritora nasceu em 1943, vivia em Leiria e estava hospitalizada.

Natural de Fornos de Algodres, faleceu sábado, dia 26, a professora de português e escritora, Amélia Pinto Pais. A professora e escritora nasceu em 1943, vivia em Leiria e estava hospitalizada.

Amélia Pais fez parte do trajeto formativo de muitos leirienses, enquanto professora no Liceu de Leiria, depois Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo. Licenciada em Filologia Românica, pela Universidade de Coimbra, estava atualmente aposentada da sua profissão de sempre, professora no ensino secundário.

Contudo, a sua vocação pedagógica arrisca permanecer, atendendo ao facto de ter sido a autora dos manuais escolares Ler por Gosto (Antologias para os 10.º, 11.º e 12.º anos e respetivo livro auxiliar), Ser em Português (10.º, 11.º e 12.º anos) e Saber Português.

A língua portuguesa mereceu-lhe sempre muito do seu esforço e dedicação, tendo sido a autora de diversas obras de carácter ensaístico sobre Camões, Fernando Pessoa, Gil Vicente, Padre António Vieira. Foi igualmente a autora de uma História da Literatura em Portugal, obra repartida em três volumes.

Amante da literatura portuguesa, foi responsável por diversas iniciativas ligadas à formação inicial de professores, bem como de formação contínua no âmbito da língua portuguesa. No seu percurso inscreve-se ainda a elaboração de muitas comunicações em diversos encontros e congressos sobre literatura e a colaboração com escolas e universidades.

Camões era o seu autor de eleição e sobre ele disse que “é somente o melhor escritor do meu, do seu tempo e de todos os tempos. Mantém-se no essencial atualíssimo, no apelo ao sair da ‘austera, apagada e vil tristeza’, tal como na intensidade e qualidade da sua poesia lírica”. No seu blogue, denominado “ao longe os barcos de flores”, está registada a sua última entrada, a 12 de maio. Publicou um poema de Marco Araújo que termina garantindo que “amigo é pra todo sempre/ e pela estrada afora”. Que o diga quem acompanhou as cerimónias fúnebres de Amélia Pais no último domingo em Leiria.

(texto publicado na edição em papel de 1 de junho de 2012)