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M綟 coragem luta por dar ao filho a oportunidade de ter um futuro

Em mar輟 de 2002, um acidente vitimou a famlia e deixou M疵cio tetrapl馮ico. Tinha 11 anos. Perdeu os movimentos, a capacidade de falar, a facilidade em respirar. Perdeu quase tudo em termos fsicos. Contudo, ao nvel cerebral ficou bem e o gosto pela escola, que j lhe era conhecido antes do acidente, nunca esmoreceu. Nem a longa e difcil recupera鈬o lhe retiraram a vontade de aprender.

M疵cio com a m綟, Alda Serrazina, e C駘ia Sousa, coordenadora do CRID – Centro de Recursos para a Inclus縊 Digital (fotografia: Joaquim D穃aso)

Por isso, sempre que M疵cio pediu para ir estudar, a m綟 disse 砺ais. E se o 田omo era problema, Alda Serrazina tornou-o um pormenor quando decidiu acompanhar o filho.

ノ o que sucede no mestrado que h duas semanas M疵cio iniciou na Escola Superior de Tecnologia e Gest縊 (ESTG). タ segunda, ter軋 e quarta-feira Alda e M疵cio mudam-se da Benedita para Leiria. Ele tem aulas entre as 19 horas e as 23h30. D um toque de telemvel m綟 sempre que necessita de ir casa de banho ou quando chega o intervalo para jantar. Ela aguarda-o na sua Kangoo e no final das aulas seguem para a resid麩cia de estudantes.

滴 pessoas que dizem que estou a massacrar o meu filho, mas ele quer estudar, foi ele que pediu e se ele queria fazer o mestrado, vem fazer. Tem de aproveitar enquanto eu posso ajudar.

O mestrado em Gest縊 s mais uma etapa de um caminho que m綟 e filho iniciaram em conjunto quando M疵cio saiu do centro de reabilita鈬o do Alcoit縊.

Faltavam-lhe duas disciplinas do 6.コ ano. Alda matriculou-o no 田iclo e ela ali esteve, durante um ano, a desempenhar o papel de tarefeira. Levava-o casa de banho e dava-lhe a refei鈬o.

No 7.コ ano, ele entrou no Externato Cooperativo da Benedita. A m綟 conseguiu um lugar como funcion疵ia. O objetivo era o mesmo: poder lev-lo casa de banho, dar-lhe as refei鋏es.

O M疵cio progrediu na escolaridade sem dificuldade. Alda esticou ao limite as possibilidades que o centro de emprego lhe dava para poder acompanhar o seu nico filho.

No secund疵io, M疵cio escolheu Economia e no ensino superior entrou na primeira op鈬o: Gest縊. Alda veio com ele para a ESTG. As aulas eram em regime diurno. A, um grupo de volunt疵ios substitua-a nas tarefas habituais. Alda pde frequentar o IPL 60+, inscrever-se nas aulas de hidrogin疽tica, ter mais tempo para si.

Ele completou o curso em tr黌 anos e aps um perodo de pausa quis regressar aos estudos. A m綟 reconhece que a falta de convvio 吐ez muito mal ao M疵cio. 轍uando me dizem: 叢ara que que pes o teu filho a estudar? Eu digo: 双 que que ele ficava em casa a fazer? Fic疱amos os dois tontinhos, a cabe軋 tem de estar ocupada.

M疵cio tem hoje 25 anos. 滴 14 que uma pessoa anda nesta vida e para chegar aqui tem-se lutado muito, muito, muito. Alda diz que n縊 sabe como que ainda tem 田ara de gente, ela que perdeu o pai do M疵cio quando o menino tinha apenas dois anos.

鉄e me dissessem vais passar por isto, eu dizia 創縊, n縊 aguento, n縊 sou capaz樗. Mas a convic鈬o de que 登 M疵cio tem de recuperar, n縊 pode ficar assim foi sempre mais forte.

Alda nunca sentiu que deixou de ter vida. 摘u saio e ele anda sempre comigo, ningu駑 me probe de ir para qualquer lado, seja onde for, com ele.

Ao longo deste anos, s h uma coisa que deixou de fazer: planos. 橡 viver um dia de cada vez. E quando a m綟 j n縊 estiver? 摘u penso que algu駑 o h de ajudar.

的nstitui鋏es t麥 de mudar para acolher estes alunos

No final do ano letivo 2015/2016, 11 mil alunos com necessidades educativas especiais terminaram o 12.コ ano. No ensino superior, pelo contingente especfico para esses casos, entraram 140. 徹nde est縊 esses alunos?, questiona C駘ia Sousa. 徹nde est縊?, perguntamos. 摘m casa, responde a coordenadora do CRID Centro de Recursos para a Inclus縊 Digital, que v na histria do M疵cio 砥ma situa鈬o rara.

O Instituto Polit馗nico de Leiria, no qual o CRID est integrado, tem criado condi鋏es para acolher alunos especiais, mas a generalidade das institui鋏es n縊 as possui. C駘ia Sousa defende que o ensino superior tem de 菟ensar em respostas diferenciadoras, que pode n縊 ser uma licenciatura, mas um TESP (curso t馗nico superior profissional) ou outra forma鈬o que os capacite para terem uma profiss縊.

O caso do M疵cio , no seu entender, ainda mais interessante porque resulta de um acidente. 轍uantas pessoas est縊 na situa鈬o do M疵cio? Tamb駑 t麥 direito a estar no ensino superior, sublinha C駘ia Sousa, acrescentando que 殿s institui鋏es t麥 de mudar para acolher estes alunos.

Quando o filho terminar o mestrado, Alda Serrazina acredita que ele vai encontrar um emprego, 都e n縊 for a tempo inteiro, pelo menos umas horas. Essa convic鈬o partilhada pela coordenadora do CRID. 徹 M疵cio vai trabalhar numa empresa, o prximo passo.

At l, h muito trabalho a fazer. Com a ajuda do CRID, M疵cio ter de conseguir usar um software que o vai permitir falar e defender a tese de mestrado. A comunica鈬o essencial nessa fase do curso e, mais tarde, quando quiser come軋r a trabalhar e tornar -se autnomo em rela鈬o m綟, admite C駘ia Sousa.

Alda Serrazina sorri quando se fala do futuro do filho. Ela que nunca se conformou com a frieza com que uma m馘ica do Alcoit縊 encarou a situa鈬o do M疵cio. 天oc tem de se convencer que o seu filho nunca mais vai andar nem falar, disse-lhe a clnica. Alda n縊 acreditou e respondeu: 泥esculpe doutora, eu vou ver o meu filho andar e falar.

Patrcia Duarte
patricia.duarte@regiaodeleiria.pt

(Notcia publicada na edi鈬o de 6 de outubro de 2016)

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