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Xico e Carriça ganham reforma dourada em Ferraria de São João

Xico e Carriça ganham reforma dourada em Ferraria de São João

Existem dois burros na aldeia de xisto de Ferraria de São João que há vários anos fazem as delícias de todos os habitantes e visitantes: o Xico e a Carriça.
Ambos vivem no Vale do Ninho Nature Houses e foram adotados depois de anos de trabalhos agrícolas numa região geograficamente acidentada. Os anteriores donos também já não possuíam condições para cuidar deles.

“Tínhamos dois gatos gémeos e albinos e também nos veio bater à porta insistentemente um cão já adulto e com uma corrente partida ao pescoço. Passado uns dias e depois de se manifestar um excelente companheiro das nossas corridas matinais, ficamos com ele e demos-lhe o nome de Lucky. Depois soubemos do Xico e das dificuldades do seu dono em continuar a cuidar dele. Tínhamos espaço suficiente e era a peça perfeita para compor o ramalhete!”, conta o leiriense Pedro Pedrosa, que há mais de cinco anos decidiu aventurar-se na recuperação de habitações de pedra, com tecnologia de energias renováveis, num ambiente de montanha rodeado de uma paisagem de floresta. Sofia Sampaio, a mulher, acompanhou-o neste projeto ecoturístico sustentável.

Mas Xico não é um simples animal. “É um excelente cortador de relva” ajudando na manutenção dos jardins, é graças ao seu estrume que adubam a horta e faz as delícias de quem vem à aldeia. “Todos o ouvem zurrar de manhã para a alvorada!”, acrescenta.

Numa primeira fase, o Xico tinha como missão passear crianças até “ao majestoso sobreiral centenário” da aldeia, no concelho de Penela, que terminava com um piquenique. “Para além de um amigo de todos os dias, o Xico é também um símbolo da ruralidade e preservação para quem nos visita”, explicam os donos.

Todavia, o sentido de orientação e a visão do burro diminuíram nos últimos anos e, em 2015, desapareceu durante quatro dias. O momento foi aflitivo para a família, contam. Percorreram montes e vales durante horas, juntaram amigos e conhecidos e nada. Encontraram-no no ponto mais alto da serra, em São João do Deserto, na fronteira com o distrito de Leiria, quatro dias depois.

“Foi uma explosão de alegria. Era o aniversário dos nossos filhos e estava tristíssima com o desaparecimento do Xico a pensar no pior e a chorar pelos cantos. Foi um verdadeiro alívio e um dia de festa em pleno!”, diz Sofia Sampaio, que durante a gravidez chegou a ter o focinho de Xico encostado à barriga, para que sentisse os bebés mexer.

Cenouras e maçãs
Com cerca de 30 anos, o burro Xico passou parte da sua vida a fazer trabalho agrícola. Atualmente, a sua pior tarefa é deixar-se afagar. Sofia, de 37 anos, e Pedro, de 45 anos, dizem mesmo que ele vive tempos de “reforma dourada”.

“É um animal extremamente dócil. O seu comportamento assemelha-se a um cão fiel, seguindo-nos para toda a parte. Adora que lhe cocem as orelhas, rebolar na terra fofa, comer cenouras, maçãs e ervas aromáticas, do nosso canteiro. E mal ouve o barulho da ração a achocalhar na taça vem logo a trotar na nossa direção”.

Para fazer companhia ao Xico e poder retomar os passeios com as crianças, os dois amigos dos animais decidiram adotar a Carriça, uma burra com 13 anos. Contudo, devido às mazelas nas patas provocadas por anos de trabalho excessivo e alguns descuidos no trato dos cascos, a burra não pode ser montada e não consegue realizar passeios com os mais pequenos. “Está portanto, tal como o Xico, a usufruir da sua reforma dourada”.

Além do Xico e da Carriça, no Vale do Ninho Nature Houses existem ainda três cães – Lucky, Lhasa e Mia, dois gatos – Mago e Beca, e duas galinhas. “Estes animais fazem parte da família e das nossas rotinas diárias e dos hóspedes se assim eles o pretenderem”, refere Sofia Sampaio.

E ninguém é indiferente para os animais ou fica indiferente quando os vê na aldeia, a cerca de 15 quilómetros de Figueiró dos Vinhos. Os habitantes metem-se com eles quando passam na casa, “todos ouvem o seu zurrar, o que acaba por marcar um pouco os ritmos da aldeia e embelezar os seus sons rurais”, justifica Pedro Pedrosa.
E eles retribuem: “quando nos afastamos começa a zurrar a pedir mais um pouco de companhia”.

(Artigo publicado na edição de 24 de novembro de 2016)

Marina Guerra
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

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Depois de anos de trabalho, o Xico e a Carriça gozam agora de uma “reforma dourada”

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