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Maria Francisca Gama

Maria Francisca Gama

Estudante do ensino superior, escritora

mariafranciscagama@hotmail.com

Conversa de café

Nov 28, 2017 | Opinião | 0 Comentários

Durante alguns anos vi-me como uma jovem pronta para mudar o Mundo. Acreditei que, com perseverança e resiliência, nada me era impossível e que, aos poucos, ia conseguir fazer com que aquilo que não está do meu agrado se tornasse diferente graças às minhas ações. Queria mais paz, mais amor, e queria, na mesma medida, mais palavras e atos, porque escrever me faz sentir que faço algo e a inércia aborrece-me. Pregava com convicção, ainda nos meus tempos em Leiria, que havia coisas que tinham de mudar, e que podíamos e devíamos ser mais interventivos, participativos, e, acima de tudo, opositores. Que nos devíamos opor à vontade que não representa a do povo e que devíamos fazer frente às medidas que não solucionam os problemas sentidos por quem, na Praça, repreende a falta de estacionamento na cidade ou o preço dos terrenos herdados.

Expressei, várias vezes, na mesa que religiosamente ocupo no Pátio do Barão, a minha insatisfação face à potencialidade, nem sempre levada ao expoente máximo, que via e vejo no Castelo, nas ruas estreitas, que entretanto tão bem foram pintadas, e em como, um dia, quando regressasse, ia ter orgulho de mostrar aos meus filhos que fiz efetivamente algo. Das conversas sobre a cidade, passávamos para o país, e, sem darmos conta, debruçávamo-nos sobre o Mundo: e sobre ele, havia sempre tanto a dizer. Eu conhecia a fórmula mágica que findaria a fome, e sabia exatamente como unir todas as nações em prol dos valores que terminariam a guerra, a desigualdade e a mendicidade que tanto me repela.

E não conhecemos todos?

Essa fórmula, essa receita de um bolo que todos podemos cozinhar mas, quando abrimos a despensa, não temos os ingredientes e já não nos apetece sair para ir ao supermercado comprá-los. Reparei no quão paradoxal é a vontade de mudança. Todos a temos. Todos nos queixamos de algo. Nunca está nada completamente perfeito. No entanto, quem tem mais razões para querer mudança, normalmente, e infelizmente, não tem os meios para a fazer. E quem se queixa de um lugar para estacionar esquece-se de que se está a queixar porque, efetivamente, é dono de um carro e o seu problema acaba quando arranja lugar. Há vontade de mudar, mas nunca é levada a cabo. Mais paradoxal ainda é o facto de eu ter a noção disto e permanecer a dona do carro. Até este texto já devia ter sido escrito, este, e outros tantos. Há dias em que estou ocupada a fazer algo parecido com nada, mas diferente do que fiz no dia anterior. Convenço-me de que é por falta de tempo. Que estou atarefada, cheia de trabalhos e de coisas para estudar, mas tempo não falta… até faltar…

Nunca foi tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil mudar o mundo. Temos um universo de ferramentas à disposição para fazer o que queremos e sonhamos e, ao mesmo tempo, parece que tudo está feito. Uma vez ouvi um discurso em que um Almirante da Marinha Americana dizia que o primeiro passo para mudar o mundo é fazer a cama de manhã, porque é o primeiro objetivo feito do dia. Achei uma mensagem ótima, fez-me todo o sentido. E adivinhem? Não só tenho a cama por fazer, como ainda tenho uma pilha de roupa em cima dela.

Por último, apercebi-me de que estamos perto do Natal. Mais um ano que já está quase no fim e fiz muito pouco do que prometi fazer no início. E porque é que eu continuo a ser assim? Porque é que continuamos todos a ser assim?

Deixo para proposta de reflexão. Ainda tenho de fazer a cama, arrumar o quarto, ir ao ginásio, começar a minha dieta e mudar o Mundo. E ontem disse ‘’amanhã’’.

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