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José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

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Tempo incerto: Os efectivos

Fev 8, 2018 | Opinião | 0 Comentários

Portugal constitui um triângulo estratégico no Atlântico, com o continente e os arquipélagos insulares, e a via marítima representa a principal fonte que alimenta o país e a sua economia. Existe, ainda, a possibilidade de ser aumentada a área oceânica sob jurisdição nacional para além das 200 milhas, o que trará uma responsabilidade acrescida numa zona superior a 2 milhões de km2 e novas oportunidades relacionadas com a economia do mar.

O país é membro fundador da OTAN e integra a Cooperação Estruturada Permanente, que pretende elevar os meios de defesa e de segurança da Europa para novos patamares de crescente autonomia, dotando-a de uma capacidade militar própria.

Tem militares ao serviço da UE, da OTAN e da ONU, assim como destacamentos em países mergulhados em conflitos, como a República Centro Africana ou o Afeganistão, para onde o governo pretende enviar um novo contingente.

Possui, também, uma população dispersa pelo mundo que pode necessitar de ser auxiliada ou evacuada com o apoio de meios bélicos.

Seria de pensar que um país com estas características e circunstâncias daria atenção aos problemas da segurança e da defesa, bem como às suas vulnerabilidades. Era previsível que houvesse um amplo debate político sobre as Forças Armadas, as suas missões e gritantes insuficiências, que, no entanto, não têm impedido os militares envolvidos em missões da OTAN ou da ONU de as cumprirem condignamente, mesmo com equipamentos obsoletos e inadequados.

Todavia, num país pouco dado à reflexão estratégica e crente de que está ao abrigo de qualquer infortúnio, o poder político vem-se revelando incapaz de pensar as Forças Armadas e de as dotar com os meios necessários ao cumprimento das missões que lhes atribui, num contexto internacional instável e com novas ameaças.

Regista-se, ainda, uma escassa incorporação de produtos de fabrico nacional nos meios e equipamentos utilizados e tem-se vindo a desmantelar as indústrias de defesa ou a proceder à sua alienação.

A tudo isto acresce uma contínua redução de efectivos e crescentes dificuldades de recrutamento. No ano passado saíram das fileiras do Exército 2300 praças. Está na altura de se reconsiderar, por razões de cidadania e de segurança colectiva, a reintrodução do Serviço Militar Obrigatório.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 8 de feveiro de 2018)

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