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José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

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Tempo incerto: A oposição

Mai 5, 2018 | Opinião | 0 comentários

É inerente ao conceito de democracia a existência de forças políticas que fiscalizem e se oponham à actuação do poder. Forças políticas que, com os seus programas e pela sua acção, venham a constituir-se como alternativa. Não se lhes pede apenas que exerçam o direito de opinião, mas que sejam uma voz da diferença, tanto em questões estruturais como em relação à prática do poder e aos seus projectos.

À medida que passamos do poder central para o autárquico, a tendência é para pessoalizar a acção política e construir poder em torno de uma figura mais ou menos influente na comunidade. A este nível, esbatem-se as diferenças ideológicas, submersas numa rede de ligações pessoais e corporativas e de interesses de proximidade.

O exercício do direito à diferença passa a ser muito estreito, sobretudo perante um partido com uma maioria absoluta. Nestas circunstâncias, manter o discurso e o combate político nas meras instâncias institucionais é redutor e apenas beneficia quem controla o poder. As minorias acabam por ter, por omissão, apenas um papel legitimador.

Precisamos de uma oposição capaz de alertar o cidadão para o que considera certo ou errado na prática de quem governa, de se envolver em combates por causas públicas e construir novos projectos políticos.

Passado o período eleitoral, a sensação que se tem é de que os partidos da oposição entram num processo de hibernação, limitando-se, circunstancialmente, a estarem nos lugares para que foram eleitos, sem que a sua voz transcenda o gueto onde se deixaram encerrar.

Se a oposição é fraca, cai-se com facilidade no conformismo. O poder, demasiadas vezes, tem tendência a sentir-se impune e a actuar como muito bem lhe apetece, sem qualquer tipo de informação aprofundada sobre as suas acções ou debate público que a oposição tinha a obrigação de despoletar.

Existe, ainda, uma outra condicionante na vida da oposição. Os portugueses, por hábito e cultura, gostam de comentar os actos do poder, à boca pequena, com o sabor picante de os envolverem num clima de suspeições de diverso calibre, mas tendo muita dificuldade em discordarem abertamente do poder. Alguns por receio e outros por não saberem quando vão precisar dele.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 3 de maio de 2018)

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