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Maria Francisca Gama

Maria Francisca Gama

Estudante do ensino superior, escritora

mariafranciscagama@hotmail.com

A fuga de cérebros

Jun 10, 2018 | Notícias, Opinião | 1 Comentário

Portugal, apesar de tudo aquilo que lhe possa ser apontado, é um país onde se aprende. Há muitas coisas que podiam melhorar, e esperemos que, com os anos e com os Governos que se vão sucedendo, procure-se, cada vez mais, fazer do nosso país uma referência no que à educação e formação dos jovens diz respeito. A verdade é que, lá fora, somos bem vistos nesta área: temos boas escolas, boas universidades, bons institutos politécnicos, bons cursos profissionais, e uma mão-cheia, decerto figurativamente com muito mais de cinco dedos, de pessoas que aqui se formam e levam o nome do país mais longe. Uns pelo talento, outros pelo trabalho, tanto em áreas como a investigação, que contribui para descobertas na Medicina, como, por exemplo, nas artes, na literatura e na música. A verdade é que todos os anos ouvimos falar de jovens que, nos seus estudos, desenvolvem projetos notórios, que revolucionam as perspetivas que temos do futuro, e que quebram dogmas, não através da negação constante destes, mas, sim, de um conhecimento profundo e inovatório, que os abala por completo.

Hoje em dia, no nosso país, é-nos imposta a ideia de que, para sermos alguém, e termos uma vida economicamente confortável, temos não só de nos licenciar, como de tirar um mestrado ou um outro grau académico superior. Não me interpretem mal, nem tudo o que nos é imposto é negativo: concordo que devamos estudar, e que o conhecimento não ocupa lugar, e só nos enriquece. Mas, e este último termo que utilizei, engraçado, não é? Para os pais de estudantes universitários que me leem, ou os jovens estudantes trabalhadores, sabem o quão caro é formarmo-nos em Portugal. As propinas na licenciatura, o custo, com vários zeros, de um bom mestrado. O conhecimento enriquece-nos, mas a vida académica deixa-nos mais pobres, na verdadeira aceção da palavra. Não obstante, todos aqueles que têm a possibilidade de estudar, fazem-no, esperançosos de que, após findarem os seus estudos e de terem gasto tanto dinheiro, terem um bom emprego, onde estes serão reconhecidos, valorizados, e, acima de tudo, aproveitados.

Na Faculdade onde estudo, e esta é, também, a ideia que tenho das restantes, é-nos incutido um espírito competitivo que nos faz querer ser os melhores, cientes de que, não o sendo, é muito difícil, senão quase impossível, singrarmos na nossa área, e recebermos um ordenado que faça jus ao número de anos, e ao esforço empregue, no nosso curso. No entanto, quantos de nós conhecem recém-licenciados, ou mestres há uns meses, que emigram à procura já não de oportunidades melhores, mas apenas de uma oportunidade? A que se deve esta fuga de cérebros de Portugal? Será um problema das Faculdades, que, ao invés de serem escolas do pensamento, se tornaram incubadoras de empresários, preterindo uma quantidade significativa de profissões que são importantes, não obstante quem as exerce não ser tratado por doutor?

Estudo Direito, e os dados estatísticos que consultei para escrever esta crónica, bem como os jornais nacionais que analisei, dizem que alguns dos melhores alunos que saíram das várias Faculdades do nosso país nos últimos anos, não estão, neste momento, em Portugal. Ressalvei o curso que estou a tirar, para que vós, leitores, não esperem que faça uma análise estatística dos mesmos, mas gostava que pensassem comigo sobre o assunto, pois urge encontrar soluções. Então, as nossas escolas formam génios, e depois é o resto do Mundo que os aproveita, no sentido não pejorativo da palavra? Porque é que esses alunos, que se destacaram pelo seu aproveitamento académico, não ficaram em Portugal, e estão, neste momento, no mercado de trabalho de países como a Alemanha, como os Estados Unidos da América, ou como o Brasil? O que é que nos falta para agarrarmos aqueles que podem levar o nosso país a outro nível de industrialização, de cultura, de desenvolvimento?

Talvez esteja na hora de garantir que, quando acabamos os nossos estudos, há um mercado de trabalho que não se aproveita do facto de ser o nosso primeiro emprego para nos pagar um salário que em nada retribui o número de horas e o que lá fazemos. Está na hora de garantir que não temos cursos de ensino superior para os quais não existe qualquer saída profissional, criados, única e exclusivamente, para enriquecer quem os gere, ou que, pelo menos, os jovens antes de os ingressarem são informados das escassas saídas profissionais dos mesmos.

No fundo, está na hora de procurarmos parabenizar os alunos que se distinguem na sua área não apenas com uma menção honrosa, atribuída num evento promovido pela Faculdade, mas com um lugar digno no mercado de trabalho para o qual estudaram.

1 Comentário

  1. Marco

    As empresas não valorizam os colaboradores, abusam dos mesmos com cargas horárias e pressões ridículas e ordenados cada vez piores. Felizmente o mercado é global, e se nos valorizam noutro lado, a resposta é óbvia, e por norma, uma vez bem instalados noutra paróquia … dificilmente se volta a um nível de vida que basicamente é sobrevivência diária.

    Responder

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