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O meu diário: Verão

Helena Vasconcelos

Helena Vasconcelos

Médica

hml.vasconcelos@gmail.com

O meu diário: Verão

Jul 21, 2018 | Opinião | 0 Comentários

Esta silly season está mesmo silly isto é, não sabemos em que mês estamos e muito menos em que estação. Eu diria que este tempo corresponde à Primavera da minha infância quando usávamos uns casacos de malha e havia umas chuvadas de quando em vez. O casaco de malha é coisa de primavera e nos dias que correm ninguém passa sem eles. Não sei se a culpa é do aquecimento global, e do Trump em particular, mas gosto de pensar que sim. O homem não está há tempo suficiente a fazer asneiras, estão vocês a pensar, mas como portuguesinha de gema alguém tem de ser culpado e ao Trump fica-lhe bem assumir essa responsabilidade dado os inúmeros pontapés que tem dado nos vários acordos climáticos que gente de bem tem tentado firmar e responsabilizar os líderes mundiais.

Gosto de sentir que há gente com visão que não pensa só na sua rua e no seu país, mas que tem estratégia universal e galáctica. Esses homens e mulheres que pensam no universo, nas estrelas, nos planetas, nas galáxias, nos buracos negros, nas teorias mais avançadas da física, sempre tiveram a minha admiração. Essa malta pensa em grande, é neles que depositamos a esperança de deixar um mundo para as gerações vindouras. Esperamos de um líder um poço de estratégias, que não pense só no imediato, mas que tenha uma visão de futuro.

Depois há aqueles que vivem em conflito com o S. Pedro, que parece que comanda meteorologia celestial e envia mensagens para os smartphones a avisar da possibilidade de chuva às carradas e de várias nuvens a ensombrar as nossas férias. As redes sociais estão carregadas de pedidos ao dito santo implorando que se documente e atine com o tempo que deverá fazer nesta época. As culturas estão atrasadas pelo que temo que teremos de comer o bacalhau do Natal com tomates, pepinos e feijão verde e as famosas couves irão acompanhar o cabrito da Páscoa. É que a natureza não tem calendário no telemóvel e rege-se pela temperatura, humidade e quantidade de luz. Estes parâmetros estão todos às avessas.

Se isto continua temos de repensar o calendário escolar, a época balnear e sobretudo as nossas férias. É que já controlamos quase tudo mas o tempo ainda não temos capacidade. Resta-me mandar um recado ao santo. Caro S. Pedro, as minhas férias estão quase aí agradecia que te sentasses a estudar o livro de geografia e tivesses juizinho. Estou cansadita e preciso de ir a banhos.

(Artigo publicado na edição de 19 de julho de 2018)

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