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O meu diário: Brasil

Helena Vasconcelos

Helena Vasconcelos

Médica

hml.vasconcelos@gmail.com

Sou fã do Brasil, gosto do país, gosto do povo genuíno e gosto dos seus hábitos, da sua especial energia e do seu natural entusiamo. Ao contrário da maioria, conheço o Brasil de lazer e o Brasil de trabalho e sinto este país como uma extensão de Portugal. Quando lá vou nunca me sinto estrangeira e quando encontro brasileiros fora de Portugal sinto-me próxima e acompanhada. Gosto da biodiversidade e gosto de sentir que é o país com o maior pool genético do mundo, isto é onde existe mais mistura de raças humanas.

Estou muito triste, incrédula e receosa deste resultado eleitoral. Pergunto-me como é possível não terem arranjado nada melhor do que o Capitão Jair. Homofóbico, sexista, irracional com as armas e a violência, a ameaçar acabar com a democracia e eleito assim sem grande dificuldade. Para além do mais, o homem não parece normal. Ninguém consegue ter um discurso tão fraturante, tão disparatado sem ter uma anomalia psíquica grave. Todos os políticos deveriam ter uma dose aceitável de bom senso, um mínimo de autocritica e sentido de estado. Percebe-se que o país esteja farto de corrupção, farto de insegurança mas não existe mudança a qualquer preço. Há preços demasiado altos para arriscar. Relembro que também o Hitler e o Nicolás Maduro foram eleitos, e o nosso Estado Novo chega ao poder sem sangue pela via democrática. Eles sempre se aproveitam da falta de ponderação do povo, do sentimento de tudo ou nada, de ver que para pior não é possível. É sempre possível mas não o conseguimos prever. O mundo está para os doidos, irrefletidos e incontroláveis, veja-se o Trump. As esferas de atuação é que são demasiado grandes e perigosas para ficarmos à mercê destas personagens. Assim, vejam, liberalizar o uso de armas num pais com tanta violência só vai gerar violência e está provado que isso não conduz a coisa nenhuma, para além de sofrimento.

No Brasil tudo está na mão dos médicos. Se o conseguirem medicar pode ser que a coisa não corra tão mal como o previsto. A bem deste povo é urgente que acertem na medicação.

(Artigo publicado na edição de 1 de novembro de 2018)

1 Comentário

  1. Fabricio

    Fazer um artigo exige-se conhecimento do fato para se falar de algo ou alguém. Conhecer um candidato pelo jornal é algo muito ingênuo ou nada profissional.
    Daqui 4 anos voltarei nesta mesma coluna e vou questiona-la caso não tenha apagado tudo isso que escreveu.

    Responder

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