Select Page

Tempo incerto: Por um novo público leitor

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

redacao@regiaodeleiria.pt

Os jovens não lêem jornais e, quando muito, um ou outro desportivo, para aprofundar a cultura com maior expansão mediática. Da leitura de livros também se cansam com rapidez. Assustam-se com o número de páginas e, por isso, têm tanta difusão as súmulas e as sínteses sobre as obras escolares obrigatórias, colocadas no mercado, em tempo útil, por diligentes editoras. As fotocópias de parte da obra, se não forem muitas, também encontram o seu público. O manual de certas disciplinas só se digere em pedacinhos fragmentados, para não cansar. E os professores, quase sempre desejosos de agradar ao público juvenil, vão dividindo a matéria em suaves tranches.

Os jovens alimentam-se da net, das redes sociais e acham que a palavra impressa em papel não tem futuro. Gostam de enviar mensagens hieroglíficas, de fazer inveja aos antigos egípcios e que, certamente, os deixaria atrapalhados na decifração.

Esta opinião não deixa de ser partilhada pela ministra da tutela que, com ar de feliz sobranceria, estava ridente no México por não ler, há quatro dias, jornais portugueses.

Longe vão os tempos em que os cidadãos de Leiria se aglomeravam, a horas certas, junto à banca do Augusto, próximo do “Largo dos Cafés”, para comprarem os jornais que ajudavam Leiria a ligar-se ao mundo, enquanto alguns ardinas anunciavam pelas ruas mais movimentadas da cidade os títulos da primeira página e davam a conhecer os números da sorte da última lotaria.

Aprender a gostar de ler jornais e a dar importância à palavra escrita é fundamental para o desenvolvimento de um pensamento crítico e reflexivo sobre a sociedade. Neste campo, os jornais, em parceria com outras entidades, deviam abrir-se ao público jovem e dar-lhes espaço para os seus modos de pensar e de estar.

Torna-se necessário que o Estado crie incentivos para protecção dos jornais e da sua função social, bem como benefícios fiscais para os consumidores e para as empresas editoras.

A morte dos jornais impressos será penosa para a sociedade democrática, sobretudo num País onde se continua a ler pouco.

Grande parte da memória do nosso passado colectivo está plasmada em papel de jornal e jaz em silêncio nos arquivos. Importa descobri-lo, mas ainda mais conquistar um novo público leitor para memória futura.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 29 de novembro de 2018)

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Share This