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Tempo incerto: A memória colectiva

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

redacao@regiaodeleiria.pt

A memória gerada pelos actos do poder, condicionadora a nível ideológico e cultural, procura sobrepor-se aos silêncios da História local e nacional. Existem inúmeros vazios que não são preenchidos pelo labor dos investigadores nem pela acção das instituições que têm por função preservar e divulgar a memória, como a escola, a universidade, os arquivos, as bibliotecas e os museus.

Nos nossos dias, a memória colectiva alimenta-se da internet, dos meios de comunicação social e da informação que estes seleccionam e produzem, misturando, com frequência, o acontecimento marcante com uma qualquer feira de enchidos.

Tudo parece possuir a mesma relevância, daqui resultando uma compressão do tempo histórico e uma crescente amnésia.

Apesar de existir uma maior difusão do livro sobre temáticas históricas, demasiadas vezes servido por traduções medíocres, existem amplos espaços a colmatar, sobretudo a nível local.

Em Leiria, uma cidade cujo poder político ambiciona alcandorar a capital europeia da cultura, devia ser feito um esforço para divulgar obras e autores que marcaram o passado da cidade e da região ou promover novas áreas de investigação. Todavia, o livro, a edição e a divulgação histórica e literária não têm merecido grande atenção do pelouro da cultura.

Muito do que se tem feito e divulgado resulta do trabalho continuado de investigadores como Saul Gomes e , mais recentemente, de Ricardo Charters.

É, ainda, de referir a edição dos “Cadernos Leirienses”, onde a dedicação de Carlos Fernandes tem sido determinante, e o papel da Fundação Caixa Agrícola de Leiria, tanto na publicação de obras como os “Os Estudos de Reconstrução sobre o Castelo de Leiria”, de Ernesto korrodi, como no apoio que tem dado à divulgação de diversos autores. A Fundação, sob a direcção de Mário Matias, tem contribuído de forma singular para a promoção de diferentes áreas e actividades culturais, sem abandonar o apoio social

Mas o poder autárquico podia fazer muito para a criação de condições incentivadoras da investigação, da divulgação e da edição de autores e de obras marcantes para a construção do alargamento da memória colectiva e não deixar cair no olvido os que ao longo do tempo fizeram obra e têm vindo a promover a cultura e o conhecimento em Leiria e a nível nacional.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 10 de janeiro de 2019)

 

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