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Tempo incerto: Uma proposta

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

redacao@regiaodeleiria.pt

Portugal e Espanha preparam-se para comemorar a viagem histórica de Fernão de Magalhães, ultrapassados os pruridos da Real Academia do país vizinho. A 20 de Setembro de 1519, cinco navios zarparam do porto andaluz de Sanlúcar de Barrameda. A tripulação era constituída por 237 homens de diversas nacionalidades, entre os quais 31 portugueses.

Magalhães era um marinheiro experimentado, com diversas viagens no Índico e no Atlântico, conhecedor da náutica e da marinharia que tinham guindado Portugal a um lugar cimeiro nas grandes viagens dos Descobrimentos.

O seu propósito inicial, ao serviço de Carlos V, era mostrar que as ilhas Molucas, ricas em noz-moscada e cravo, estavam integradas na área espanhola definida pelo Tratado de Tordesilhas. Não tinha à partida qualquer intenção de circum-navegar o mundo. Mostrou saber e audácia ao aventurar-se pelo ignoto Pacífico e ao contornar a América do Sul, pelo estreito que tem o seu nome.

Após enfrentar vicissitudes diversas e mesmo motins por parte de alguns dos tripulantes espanhóis, foi morto num combate fortuito nas Filipinas, em Abril de 1521. A viagem de regresso foi concluída por Sebastião Elcano, contornando o Cabo da Boa Esperança e, assim, realizando a primeira volta ao mundo, em parte fruto do acaso e da superação das circunstâncias, a bordo da nau Victoria, que chegou ao porto de partida a 6 de Setembro de 1522.

Magalhães e os portugueses que o acompanharam estavam familiarizados com as técnicas de navegação, para as quais continuavam a ser usadas as tábuas náuticas declinadas do Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto, impresso em Leiria na tipografia de Abraão d´Ortas, em 1496.

Em 1996, através de protocolo celebrado entre a CML e a então Comissão Nacional dos Descobrimentos esteve previsto realizar em Leiria um congresso internacional sobre a importância da obra de Zacuto, a ciência e a náutica dos Descobrimentos.

Na altura, a curta visão de alguns impediu a concretização do evento. Talvez agora, a pretexto da viagem de Magalhães, de Elcano e da heterogénea e multicultural tripulação, se possa realizar um programa condigno que exalte a importância da obra de Zacuto e o seu contributo para ligar Leiria aos Descobrimentos e à modernidade.

Nota do autor:
De alguma forma o artigo desta semana é parcialmente devedor da obra, editada pela Gradiva, do professor e investigador Luís Filipe F.R.Thomaz,” O Drama de Magalhães e a Volta ao Mundo Sem Querer”, para além dos números que cito referentes à tripulação dos navios da expedição de Magalhães, o que não está referido no artigo publicado. Aqui fica a informação devida.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 4 de abril de 2019)

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