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O meu diário: Votar

Helena Vasconcelos

Helena Vasconcelos

Médica

Este texto podia ter uma só palavra e essa palavra podia ser um verbo: votar, votar e votar. Vão votar e incentivem todos à vossa volta a fazê-lo. Facilitem a vida aos outros para que o possam fazer, transportem os mais velhos, convençam os mais novos, expliquem que talvez seja a nossa maior vitória, a nossa maior conquista dos últimos tempos. Sim que votar é coisa de poucos anos e foi um direito alcançado em batalhas, muitas delas com perdas de vidas. Se pensarmos nas mulheres ainda foi mais sofrido, é um direito que não podemos esbanjar. Somos todos iguais no voto, o meu voto vale tanto como o dos demais portugueses. Igualdade no poder. O voto do empregado vale tanto como o do patrão, o do rico igual ao do pobre, o do intelectual igualzinho ao do iletrado. O mesmo peso, o mesmo direito.

E em quem votar? Como tudo na vida não haverá solução ideal e em último caso votem em branco. A minha sugestão é que votem por aproximação, o menos mau, o menos corrupto, o que nos parece merecer o benefício da dúvida. Na política não haverá só gente mal formada , ainda há gente séria e bem intencionada, que não pensa só em servir os seus próprios interesses. Votem para penalizar, votem para premiar, mas votem. O mundo irá continuar sem o vosso voto, mas esta é a oportunidade para deixarem uma mensagem anónima que transmitirá o que vos vai na alma. Sejam adultos, sejam responsáveis, sejam cidadãos. Houve tempo em que tal não era possível ainda que o desejassem, houve tempo que parecia impossível ser respeitado como cidadão.

Parem com o discurso eles, eles, eles. Eles somos nós que os elegemos, ou deixamos que outros o façam. Eles, eles são o poder que lhes confiamos e que lhes podemos dar ou tirar se assim o entendermos. Criem causas na cabeça dos vossos filhos e respeitem-nos mesmo que votem em coisas estranhas e incompreensíveis para nós, mas só o facto de pensarem e abraçarem causas já me parece um desafio notável. Nós na nossa associação de voluntariado vamos ajudar os nossos idosos a votar, os que nos pedirem ajuda, sem querer sequer saber em quem vão votar. Apenas para sentirem que o seu voto vale tanto como o do Costa, o do Rio, o do Jerónimo, o da Catarina e ou o da Cristas, entre tantos outros.

Vamos lá! Leiria na cauda da abstenção era uma grande lição ao mundo.

(Artigo publicado na edição de 3 de outubro de 2019)

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