Francisco Rebelo dos Santos Diretor Imagine que lhe mostram as imagens: são milhares de embalagens, plásticos e cartões, que todos as semanas são deixados no chão, aliás, não são deixados no chão, são atirados para o chão. Interrogue-se: estamos num país africano onde as condições de vida ocupam a cauda do desenvolvimento humano? Ou será um país asiático, onde os atentados ambientais transformam o céu azul numa nuvem negra, tão negra que nem um raio de sol passa? Acorde para a realidade. As embalagens de plásticos e cartão deixadas no chão, desculpe, atiradas para o chão, não pertencem a uma cidade longínqua nem a um país subdesenvolvido. São de Portugal, dizem respeito a Leiria e a quase todas as localidades da região. Custa a acreditar, mas é a mais pura das verdades, como lhe contamos a partir da página 6. Em dia de feira há um oceano de plásticos e cartão que invade os espaços públicos. Começa por ser depositado entre os pés de quem vende e de quem compra, mas desmontada a feira espalha-se por centenas e centenas de metros, em dias de vento, chega a aparecer a quilómetros de distância. Muitos destas embalagens acabam dentro dos rios, em direção aos oceanos. Não acredita? Vá observar o espaço onde se realiza a feira, no estacionamento junto ao estádio municipal de Leiria. Entre o final da manhã e o meio da tarde pode ver com os seus olhos o atentado ambiental que se repete perante a indiferença de todos. Acontece em Leiria, mas também um pouco por todas as terras onde há mercados com vendedores ambulantes. Aos domingos, por exemplo, o cenário é igual ou pior na Feira de Pataias, concelho de Alcobaça. Estamos tão à frente em coisas supérfluas e tão distantes em regras básicas. Sim, a limpeza é deficiente, mas nem devia ser necessária, quem vende e quem compra podia fazer o que lhe compete.