Patrícia Duarte Directora-adjunta   Para a generalidade dos órgãos de informação, as redes sociais começaram por ser uma “ciência oculta”. Sem sabermos como agir, escancarámos a porta e consentimos que se instalasse a desordem. Foi bem-vindo quem veio por bem, mas também quem veio por mal, usando o nosso espaço online para veicular todo o tipo de mensagens. Alguns órgãos de informação, entre eles o REGIÃO DE LEIRIA, procuram manter-se vigilantes ao que se passa nessa divisão da sua casa. Impedem comentários indecorosos e ocultam observações carregadas de intolerância. Queremos e precisamos que os leitores nos visitem no Facebook, Instagram, LinkedIn, Twitter e na nossa página web. Gostamos de os receber, de os ver instalados na nossa “sala de estar” a sorver informação e, com isso, a encontrarem resposta para as suas perguntas. A nosso convite, gostamos particularmente de os ver empenhados na construção de uma sociedade mais justa, livre e responsável. Sendo esta a lógica, há gestos que não podemos permitir. Se aos nossos convidados lhes apetecer expetorar para o chão da nossa sala, não vamos assentir. Se quiserem erguer uma bandeira nazi na nossa varanda, não deixamos. Se decidirem agredir-se por não comungarem da mesma opinião, vamos impedi-los. Nada disto é exagero. Nós, que a toda a hora temos de ler os comentários feitos às nossas publicações, ficamos atónitos e incrédulos com o efeito que as notícias podem ter. Quase nos sentimos culpados pelos danos colaterais da nossa atividade. O mais inócuo dos assuntos, abordado sob o mais benevolente dos ângulos, rápida e descontroladamente, se transforma em discurso de ódio. Não é de discordância que estamos a falar. É de violência. Foi o que sucedeu, na semana passada, com a reportagem sobre o rasto de lixo deixado pelos mercados de rua. De imediato, o tema se tornou pretexto para um discurso hostil à comunidade cigana. Não pode valer tudo. Não, nunca. Mas não, com toda a certeza, aqui nesta casa que é a nossa e onde nós, que aqui trabalhamos, reprovamos todo o tipo de tratamento discriminatório. É um contrassenso permitir que outros façam, no nosso espaço, aquilo que estamos obrigados a combater, desde logo pelo código deontológico que rege a profissão de jornalista. A porta continua aberta e todos são bem-vindos. Contudo, há regras básicas de convivência que é necessário respeitar e um pacto de não agressão que é forçoso cumprir. Se essa é a postura, entre e sinta-se em casa.