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Aprender e ensinar mudaram “acelerados” por um novo vírus

Quem aprende ou ensina, sabe bem o que os últimos tempos representaram em termos de mudança. Um pequeno vírus desencadeou uma crise sanitária global e com ela chegaram novas formas de nos relacionarmos

De supetão, o ensino presencial mudou-se para a esfera virtual e, na verdade, tudo mudou. Até que ponto? Será que vamos regressar aos métodos pré-pandémicos ou as alterações vieram para ficar?

“Penso que veremos, no futuro, uma maior utilização de modelos mistos, sobretudo em níveis de ensino onde os estudantes já apresentam uma certa autonomia”, considera Filipe Santos, coordenador do mestrado em Utilização Pedagógica das TIC (tecnologias da informação e comunicação) do Politécnico de Leiria.

Não obstante todos os problemas que causa, a pandemia obrigou ao teste em condições reais de novas metodologias. Resultado?

“Verificou-se que muitas coisas funcionaram muito bem de uma forma remota, levando-nos a questionar se a ‘presencialidade’ era uma solução por si mesma. Em particular, as reuniões de apoio/orientação aos estudantes passaram, no meu caso, para um modelo completamente virtual. Isto trouxe aos estudantes as vantagens evidentes de não estarem reféns da geografia e dos horários ‘oficiais’ das aulas das 9 às 17 horas”, salienta.

Por outro lado, adianta este especialista, “a crescente competitividade entre as escolas de ensino básico e ensino superior, quer público como privado, que procuram dar aos seus ‘clientes’ – os estudantes – melhores serviços, leva à inovação e à exploração das mais-valias da tecnologia. Se a tecnologia oferece uma mais-valia para um problema, as escolas e universidades quererão oferecê-la e ganhar ‘vantagem competitiva’”.

Com a tecnologia a alavancar esta acelerada mudança, é praticamente incontornável que a literacia digital assume um peso mais e mais importante, à medida que estas alterações se consolidam. “Julgo que podemos assumir como premissa que há já várias décadas que a literacia digital é fator de inclusão ou exclusão social, tanto no exercício da cidadania como no acesso ao mercado de trabalho. Será por isso que já lhe chamamos de “literacia”: porque hoje vivemos numa “sociedade da informação e do conhecimento” cuja literacia base de sobrevivência é a digital”, resume Filipe Santos.

A falta dessa literacia, explica, “leva à infoexclusão: perdem-se oportunidades de entretenimento, trabalho, de exercício de cidadania e, deste modo, somos excluídos socialmente”.

Dito isto, é já evidente que o campo profissional elege a capacidade de “domar” as tecnologias como requisito central. “O mercado de trabalho exige trabalhadores capacitados digitalmente, independentemente da função exercida. Isto é válido para o mecânico, o motorista, o agricultor, o médico”, reforça o docente.

Na prática, sintetiza: “há que saber comunicar digitalmente. Pesquisar digitalmente. Criar digitalmente. Transformar digitalmente”.

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