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No ensino profissional “nada substitui o ensino presencial”

O contexto de trabalho, em empresa e nas formações práticas, saiu prejudicado com a pandemia

O ensino com forte componente prática, capaz de desenvolver um músculo profissional apurado, é uma das imagens de marca do ensino profissional. O contexto de trabalho, em empresa e nas formações práticas, saiu prejudicado com a pandemia. Sobre esta questão, ouvimos duas escolas profissionais inseridas em geografias em realidades distintas da região.

No Juncal, concelho de Porto de Mós, reconhecem-se impactos, mas elogia-se o esforço de adaptação e de superação. Tânia Galeão, diretora pedagógica do Instituto Educativo do Juncal, reconhece que a “pandemia teve um impacto muito significativo na escola e no dia a dia da sala de aula”.

No equilíbrio entre o ensino presencial e outras modalidades, a palavra-chave parece ser complementaridade: “apesar de ter sido uma alavanca em termos de literacia digital para muitos docentes, alunos e famílias, deve ser usada como complemento do ensino presencial, nunca como a sua substituição”.

Em suma, entende, “o ensino misto será sempre um recurso, mas para situações muito específicas e bem analisadas”.

É verdade que “durante as fases mais difíceis da pandemia fomos obrigados a redefinir as metodologias e a reduzir a formação prática”, mas a experiência mostrou que a escola “tem conseguido, com o reforço das dinâmicas práticas nos momentos presenciais e em ambientes inovadores, recuperar possíveis lacunas”. Com os picos da pandemia ultrapassados e com as aprendizagens saídas deste processo, “hoje a situação está restabelecida e no que concerne à prática percebemos de forma muito clara que nada substitui o ensino presencial”, refere.

Mais a norte, Fernando Medeiros, diretor-geral da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó, sedeada no concelho de Ansião, mas com polos em Alvaiázere e Penela, afina pelo mesmo diapasão, considerando que o ensino presencial “será sempre o modelo a privilegiar no processo de ensino-aprendizagem, tendo a pandemia permitido encontrar novas ferramentas e soluções para contornar essa possibilidade”.

A componente prática é, lembra, o foco do ensino profissional, razão pela qual “o ensino presencial assume uma posição de destaque, pois as metodologias inerentes, por exemplo, aos métodos demonstrativo e, até, ativo, conseguem, acreditamos, mais e melhores resultados que não à distância”.

É, todavia, uma evidência que as necessidades ao nível da literacia digital saíram reforçadas. “Na era atual não é sequer considerável formar qualquer aluno sem que a literacia ao nível das tecnologias da comunicação seja uma das referências”, afirma Tânia Galeão. E completa: “arrisco-me a dizer que a falta de competências digitais é um novo analfabetismo”. No mercado de trabalho, argumenta, o cenário é semelhante.

O domínio da tecnologia sempre foi importante, reforça Fernando Medeiros que entende que a pandemia o tornou mais evidente e necessário. Foi um contributo para que “algumas empresas percebessem as mais-valias das tecnologias de informação e comunicação”, situação que revela ser “essencial que os alunos reconheçam a necessidade de investirem no seu manuseio e capacitação, pois claramente passaram a ter uma renovada importância na comunicação institucional”.

Este responsável admite que “a pandemia ajudou a desenvolver novas estratégias que poderão ser sempre um recurso pedagógico a considerar”, mas entende que, pelo menos no ensino profissional, “onde a componente de formação tecnológica assenta numa dimensão essencialmente prática”, o ensino presencial “muito dificilmente perderá impulso”.

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