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O mundo do trabalho mudou. O que esperar dele para o meu futuro?

De que profissões vão necessitar as sociedades do futuro e que competências vão ser valorizadas? Há estudos que já dão algumas pistas.

A pandemia revolucionou as nossas vidas, mas não só. O mundo do trabalho também sofreu grandes alterações que só agora se começam a vislumbrar. O que será do futuro para quem planeia entrar a curto ou médio prazo no mundo do trabalho? Que competências são necessárias? O que devo estudar?

A futurologia é uma arte difícil e bastante permeável ao erro. Ainda assim, há pistas que os especialistas conseguem traçar e que apontam tendências.

Parece ser consensual que a mudança que já se fazia sentir no universo do mercado de trabalho, foi acelerada com a pandemia. Nomeadamente, as tendências que já davam sinal de si no que se refere ao trabalho remoto (teletrabalho), comércio eletrónico e automatização, sofreram um impulso acrescido.

Paula Panarra, da Microsoft Portugal, na primeira sessão do Portugal Mobi Summit ocorrida neste mês de maio, deixou-o claro. “Estou convencida de que a produtividade através do teletrabalho está assegurada e veio para ficar”, defendeu.

A mudança é já inegável e, porventura em muitos aspetos, irreversível. A pandemia, aponta a consultora norte-americana, McKinsey & Company, acrescentou em 25% o número de trabalhadores que se estima venham a necessitar de mudar de funções. O mercado de trabalho vai estar agitado, portanto.

Inteligência Artificial, Data e Robótica são áreas em ascensão no nosso país já este ano, anuncia a consultora Robert Walters. “A Inteligência Artificial e automação estão a ganhar importância e as empresas esperam impulsionar a tomada de decisões baseadas em dados”, adianta a sua perspetiva para este ano em Portugal.

As energias renováveis estão igualmente no centro da atenção do mercado no médio prazo. A expectativa centra-se num crescimento exponencial desta área em toda a Europa. A pegada de carbono da economia é cada vez mais uma preocupação e será de esperar que o sector ajude a arrefecer a dependência dos combustíveis fósseis, ainda bem presente na economia.

Mais flexibilidade e polivalência

As empresas começaram a privilegiar na sua força de trabalho a flexibilidade, polivalência, capacidade de responder perante o inesperado e a empatia como mais-valias para enfrentar uma mudança quase súbita, aponta a Adecco Portugal. A consultora prevê que o recurso a colaboradores pontuais para melhorar a flexibilidade da força laboral, um maior investimento no bem-estar e satisfação dos funcionários e menor concentração nos papéis individuais e mais no conjunto de competências de cada colaborador, são traços que marcam os próximos tempos do mundo do trabalho.

O aumento do recurso a papéis híbridos é um dos aspetos mais reveladores de como a mudança se acelerou: a transversalidade das competências necessárias para um emprego era já uma tendência que agora ganha novo peso.

Para quem espreita o mercado laboral, esta empresa especializada na área dos recursos humanos deixa algumas pistas, sobretudo direcionadas para os jovens que querem captar o interesse das empresas. São quatro características essenciais para levar vantagem.

Por sua vez, independentemente da área técnica ou de especialização, há outros ingredientes com peso na receita de recrutamento mais apetecida pelo mercado de trabalho. As empresas procuraram profissionais com competências técnicas adequadas à função, é certo, mas estão igualmente focadas em boas soft skills. A consultora Robert Walters confirma este padrão nas competências que mais serão valorizadas este ano: trabalho em equipa, resolução de problemas, resiliência, pensamento crítico e habilidades de comunicação.

Interação com clientes tem impacto no trabalho

Importa estar ciente que a curto e médio prazo, as empresas e o mundo do trabalho estão envoltos em mudanças de peso. E isso é já uma evidência para os especialistas.

Numa análise aos impactos da pandemia no mundo do trabalho, a consultora McKinsey & Company olhou para vários países (China, França, Alemanha, Índia, Japão, Espanha, Reino Unido, e Estados Unidos da América). Na sua perspetiva sobre o trabalho pós-pandémico, a questão da proximidade física continua a ter impacto.

Em poucas palavras, profissões e tarefas que implicam grande interação com os clientes, por exemplo, têm grande probabilidade de sofrer mudanças importantes. Nestas áreas a inteligência artificial e a automatização aceleram a mudança e ganham maior predominância.

Outra mudança evidente passa pelo trabalho remoto, que se cimentou, tal como as reuniões virtuais, “ainda que de forma menos intensa que o registado durante a pandemia”, refere a consultora.

Olhando para 2030, a consultora projeta áreas profissionais com tendência para aumentar ou, pelo contrário, perder relevo no total do emprego. O estudo aponta ainda uma mudança: a criação de emprego será sobretudo em sectores mais bem pagos, o que implica uma aposta em formação e incremento de competências.

Neste novo quadro, as principais áreas profissionais que ganham relevância são as que envolvem auxiliares na área da saúde, cuidadores, cuidadores, profissionais STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), profissionais de Saúde e gestores. Ao invés, funcionários de apoio administrativo, de produção e armazenamento, agricultura, serviços alimentares e de vendas, estão entre os que perdem peso na criação de emprego (e não necessariamente no peso na economia).

Mais centrada na realidade portuguesa, a consultora Adecco Portugal elencou as cinco profissões que, antevê, serão mais procuradas na pós-pandemia. E a lista começa com uma função ainda com designação pouco definida, o híbrido.

Que cursos têm maior empregabilidade?

Ainda que os dados mais recentes se reportem ao ano passado e reflitam a realidade de licenciados até 2019 (antes da pandemia), a área da Saúde, que no último ano ganhou uma relevância acrescida, está em destaque na listagem de cursos do ensino superior que conseguem maior aceitação do mercado de trabalho. Ou, dito de outra, registam reduzidos ou nulos níveis de desemprego.

Medical students are reading a book in a hospital hall

Os dados do portal Infocursos – que disponibiliza dados e estatísticas sobre cursos superiores, de forma a apoiar os estudantes nas escolhas de curso no ensino superior – revelam cursos que contam mesmo com desemprego zero.

Enfermagem, Medicina, Ciências Biomédicas Laboratoriais, Ciências Biomédicas, Ciências Farmacêuticas são os cursos que mais se destacam neste ranking da empregabilidade. Mas também há opções que extravasam a área da Saúde: Engenharia Informática, Biologia, Arquitetura e Psicologia contam-se entre os cursos com mais diplomados em sem desemprego, sendo certo que a realidade também varia consoante o estabelecimento de ensino.

No caso de Leiria, a saúde também é a área que regista melhor desempenho. O curso de Enfermagem do Politécnico de Leiria está entre os de maior empregabilidade do país, com uma taxa de desemprego média de 0,3%.

O que as empresas querem

Atitude – A atitude com positivismo. Podemos abordar uma questão como um problema ou um desafio: o problema tende a desgastar, o desafio tende a ser interessante de perceber e ultrapassar.

Empatia – Boa capacidade de relacionamento, de ter uma escuta ativa, perceber o que está do lado do outro e depois conseguir comunicar, interagir, negociar. É necessário ter capacidade de negociação para colocar as ideias em prática.

Flexibilidade e capacidade de adaptação –Numa altura em que as equipas tendem a ser mais pequenas e as empresas têm necessidade de alocar recursos, um perfil flexível, que não resiste à mudança, com mente aberta para abraçar funções destaca-se perante quem contrata.

Pensamento crítico e fora da “caixa” – Não dar como adquirido o que está como instituído e questionar é uma forma de incentivar a inovação, mas que só tem impacto desde que venha acompanhado de resiliência: se não formos resilientes não vamos conseguir implementar as nossas ideias e melhorar os processos das nossas empresas.

Profissões mais procuradas

Híbrido – Com as empresas a recuperar, podem ter de recorrer a recursos humanos disponíveis para desempenho de novos papéis. Esta tarefa implica muita dinâmica e possuir competências tanto técnicas como soft skills. Um exemplo de um papel híbrido é um assistente administrativo que também ajuda nas operações e tarefas de Recursos Humanos.

Especialista em Marketing Digital – Com a transição acelerada para o universo digital, o comércio eletrónico cresceu. São necessários cada vez mais funcionários com competências digitais:  as competências de trabalho de um especialista em marketing digital, incluem desde SEO, a meios de comunicação social e anúncios do Google.

Designer gráfico/criativo – As empresas vão querer realizar campanhas de marketing ambiciosas e vão precisar de alguém que consiga atualizar os conceitos de marketing, explica a consultora Adecco  

Consultor de Marketing – Num período de recuperação pós-covid, o profissional ajudará as organizações a criar estratégias de marketing, identificar o melhor conceito criativo e de comunicação, para além de executar a estratégia.

Analista de dados – as empresas querem compreender os hábitos de consumo, tanto online como offline, e depois utilizar esta informação para criar estratégias de marketing úteis e capazes de criar valor.

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