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Opinião: Temos um problema com o tempo

Precisamos de aprender a gerir o nosso tempo e a respeitar o dos outros. E precisamos de pessoas que adquiram e transmitam essa consciência.

imagem de rosto de patrícia duarte num evento com logotipo do região de leiria em fundo

A D. Encarnação Costa foi a “estrela” da capa do REGIÃO DE LEIRIA de 31 de março. O que tinha esta senhora para lhe ser destinado este espaço tão nobre? Completava nesse dia 100 anos. Atingir esta idade está a deixar de ser um feito extraordinário. O que continua a sê-lo é celebrar um século de vida com lucidez, ânimo e serenidade.

D. Encarnação ocupa os seus dias a escrever, pintar e ler. Vive, portanto. E isso é digno de notícia. É que nós, gente de meia-idade ou até jovem, não se vê a atingir essa meta. O corpo até pode completar 100 anos, mas a mente há de perder-se algures pelo caminho.

No guia do Fórum Emprego & Formação, publicado com a edição de 21 de abril do REGIÃO DE LEIRIA, um dos temas que é abordado é o tempo do trabalho, ou seja, o tempo que a profissão consome e o tempo que retira às outras componentes da vida: a família e o descanso.

O modelo de sociedade que temos vindo a construir, em que a pressa é uma constante e o stresse domina, não só nos vai impedir de chegar à idade da D. Encarnação, como nos está a proibir de viver.

Temos um problema para resolver com o tempo e estamos a adiar. Já se fala da semana de quatro dias, mas ainda se afigura uma realidade distante. Parece ser um modelo difícil de implementar numa sociedade que não compreende quem declina ofertas de emprego quando estas são demasiado absorventes e não libertam tempo para a família e para o lazer.

Precisamos de aprender a gerir o nosso tempo e a respeitar o dos outros. E precisamos de pessoas que adquiram e transmitam essa consciência.

Há cada vez mais informação sobre cursos e saídas profissionais. O que os jovens podem fazer no futuro, muitas entidades divulgam. O que poucas dizem é como vão fazer, ou seja, em que sistema de trabalho e de que forma ele respeita o equilíbrio entre as diferentes vertentes da vida do trabalhador.

Anseia-se por uma mudança de paradigma no mundo do trabalho. Por um modelo que defenda o bem-estar das pessoas, mas que também defenda a qualidade do trabalho, porque este será tanto melhor quanto mais tempo de qualidade lhe conseguirmos dedicar.

Ainda estamos a tempo de mudar. Não percamos mais tempo.

Patrícia Duarte
Diretora-adjunta do REGIÃO DE LEIRIA

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