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Será que o meu curso tem emprego? Há dados que ajudam na escolha

Por vezes os dados revelam-nos imagens que surgem como reflexos fiéis da nossa sociedade e do momento que atravessam. É o caso dos cursos de licenciatura com menor taxa de desemprego no país em 2021.


Sendo certo que existem múltiplos fatores que interferem na carreira académica que cada um escolhe, não deixa de ser claro que a forma como a formação que se recebe é absorvida pelo mercado de trabalho, desempenha um papel importante na hora de decidir.

Não é estranho, pois, que se olhe com atenção para as áreas que mais atenção despertam. Ou, dito de outra forma, qual é a resposta para a questão: Quais são os cursos que asseguram entrada direta no mercado de trabalho?

Os dados do portal Infocursos2021, gerido pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), com o apoio da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), não deixam margens para dúvidas.

Num ano marcado pela pandemia, a saúde e a tecnologia são áreas do conhecimento em alta. De facto, o curso de enfermagem é a estrela na listagem de licenciaturas com desemprego zero.

Se a análise recair sobre os cursos com 100 ou mais diplomados em 2021, a listagem de oito licenciaturas sem desempregados, contempla seis cursos de enfermagem. No ranking de cursos com mais de 100 diplomados e com zero desempregados, constam ainda Engenharia Informática e de Computadores e Psicologia.

Se alargarmos o espectro e excluirmos o critério da centena ou mais diplomados, a lista alarga-se a 30 licenciaturas. Mais uma vez, porém, num ano em que a saúde física e mental dominou as atenções, acompanhada pela adoção de tecnologias que permitam novas formas de convívio e reunião, o padrão mantém-se.

Efetivamente, quase um terço (nove cursos) são de Enfermagem. As áreas ligadas à saúde não ficam por aí. A lista de cursos conta ainda com quatro outras entradas neste universo: Terapia da Fala, Ortóptica, Fisiologia Clínica e ainda Farmácia.

Na prática, metade dos cursos com zero por cento de desemprego, estão ligados à saúde, área central nas sociedades modernas e com crescente relevância em tempos pandémicos. Mas nem só desta problemática vive a sociedade. Ainda assim, não deixa de ser verdade que estes têm sido tempos de mudança, alavancada pelas tecnologias: os espaços e mesmo os tempos de trabalho, mudaram. As novas tecnologias de comunicação e computação foram, sobretudo nestes últimos tempos, centrais nesta matéria.

Não espanta, pois, que na listagem de 31 cursos de licenciatura sem diplomados inscritos nos centros de emprego, sobressaiam igualmente a Engenharia Informática e de Computadores. Dança, Estudos Portugueses, Química, Matemática, Música, Educação Básica, Ciências Aeronáuticas e Gestão, completam a lista.

Em Leiria, Enfermagem é quem mais ordena

À semelhança do que sucede no país, em Leiria, o curso de Enfermagem do Politécnico de Leiria é o que melhor se comporta no mercado de trabalho, com uma taxa de desemprego bem perto de zero por cento.

Os dados de junho de 2021 revelam que este curso da Escola Superior de Saúde de Leiria, entre os seus 417 diplomados, registou uma taxa de desemprego de 0,7%, o que equivale a três diplomados sem inserção no mercado de trabalho.

Nesta listagem, entre nós, o curso de Engenharia Mecânica, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, apresenta 2,6% de desemprego, o que resulta de quatro desempregados entre 152 diplomados. Engenharia Informática segue-se, com 2,7% de desemprego (18 desempregados em 660 diplomados).
Biologia Marinha e Biotecnologia é o terceiro curso com maior empregabilidade: 2,8% de taxa de desemprego entre 156 diplomados do curso de 2016/17-2019/20. Ainda com uma taxa de desemprego reduzida, o curso de Engenharia Civil (ESTG), conta com 97% dos seus 66 diplomados com colocação no mercado de trabalho, correspondendo a 3% de taxa de desemprego.

Embora não faltem cursos que apresentam valores de desemprego mais elevados, os dados mostram, todavia, que a esmagadora maioria dos cursos conta, ainda assim, com percentagens de recém-diplomados do curso que se encontram registados como desempregados no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), abaixo da taxa de desemprego do país em junho do ano passado (data dos dados), e que se cifrou em 6,7%.

Ao invés, no fundo da tabela, surgem cursos em áreas tão diversas como Turismo, Comunicação Social, Marketing, Restauração e Catering, Gestão Hoteleira, Gestão Turística, Cultural e Patrimonial. No entanto, é bom lembrar que as taxas de desemprego nos cursos são um reflexo do número de diplomados que se inscrevem no IEFP, para além de existir o facto que se reporta à instituição em causa.

Quer isto dizer que para além da área científica da licenciatura, o prestígio e qualidade da instituição que ministra a formação também desempenha um papel na taxa de penetração no mercado.

Desta forma, parece ser sensato uma análise mais aprofundada dos dados revelados no portal infocursos.mec.pt. Aí é possível descobrir informação mais detalhada sobre cada curso e instituição.

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