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Há uma nova promessa em ascensão nas pistas de karting em Portugal

Tem 11 anos e o seu nome começa a aparecer nos pódios nacionais de karting. No início do mês, este jovem leiriense conquistou a primeira prova da carreira no Troféu Rotax Max Challenge (RMC), mas os dedos das mãos começam a ser poucos para contar os prémios que já conquistou.

Gonçalo Pereira é um apaixonado pelo mundo das corridas desde pequeno.

Aos 6 anos recebeu como prenda de Natal uma mini moto 4, “o que lhe despertou ainda mais o gosto pela velocidade”, conta o pai, Hugo Pereira. Alguns meses mais tarde passou para outra “mais robusta e segura”, mas o friozinho na barriga dos progenitores, sempre que o viam acelerar levaram a família a procurar outro desporto “onde ele pudesse dar largas à sua paixão”, de forma mais segura.

Encontraram no Euroindy da Batalha, a solução (e a vantagem) de poder alugar um kart, condições de aprendizagem e possibilidade de progressão em provas.

A evolução foi “rápida e constante” e com naturalidade o desejo de competir apareceu. Com Gonçalo ao volante e Hugo como mecânico, a “equipa” foi ganhando conhecimento, experiência e rotação para preparar a participação no RMC, “um troféu com valores de equidade, que incentiva os pais, com conhecimentos básicos, a serem mecânicos e [a equipa] a ter nível competitivo aceitável”.

Nos primeiros tempos, por uma questão estratégica, Gonçalo usava dois karts nos treinos: “o da escola porque o ajudava a ganhar resistência física e era mais exigente na velocidade em curva, enquanto o dele, um Praga, era muito mais rápido, mas também mais exigente em toda a pilotagem”, explica o mecânico Hugo Pereira e um dos principais apoiantes do jovem piloto.

Gonçalo Pereira tem 11 anos e é de Leiria.

Evolução e ambição

A primeira corrida (Taça EuroIndy – Classe Junior Escola) aconteceu em 2017 e Gonçalo dominou os treinos, a pole position e venceu as duas mangas com larga vantagem, mostrando ambição em chegar longe.

Passou para a C.A. Racing, estrutura de competição da EuroIndy, e juntou-se ao piloto batalhense João Oliveira (campeão Micro Max 2017).

Em 2018, iniciou as competições federadas, ficando em 3º lugar na categoria Micro Academy, e, em 2019, fez três das quatro provas do RMC em Portugal.

O número 93 foi o melhor rookie logo na primeira prova em Palmela, “sempre a demonstrar ser rápido na aprendizagem das pistas, com recursos limitados mas uma grande força de vontade, espírito de sacrifício e humildade”, acrescenta Hugo Pereira.

Sonho da Fórmula 1

2020 representa uma mudança na carreira com a subida à categoria Mini Max – o que obriga a mais maturidade e aprendizagem – e numa nova equipa, a Junior Racing Team. A mudança não podia ser melhor e depois de algumas presenças no pódio, no início do mês, em Braga, venceu, pela primeira vez, uma prova nacional.

O sonho de Gonçalo não pára aqui. Quer chegar um dia à Fórmula 1 mas até lá sabe que ter que manter “os pés assentes na terra” e as mãos no volante, pilotando até às finais mundiais do Rotax.

A tarefa não será fácil. Requer prática, aperfeiçoamento da pilotagem e das trajetórias. Até agora o investimento tem sido concretizado quase todo pelos pais, que acreditam que as próximas vitórias podem despertar o interesse de patrocinadores. Desistir não é opção e o pé do Gonçalo quer continuar no acelerador para ver a bandeira de xadrez a abanar.