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Rosto de Francisco Rebelo dos Santos

Francisco Rebelo dos Santos

Diretor

O que é preciso para ser Feliz

Poder estar próximo, lado a lado, passou a ser um luxo deste tempo marcado pelo medo. Medo do que conhecemos e não queremos perder.

Imagine um casal com a idade dos sábios que sabem ler o mundo. Trocam sorrisos como crianças felizes. Estão separados por um vidro, unidos por uma história comum, à espera do dia em que uma mão colada a outra será um abraço. Muito mais do que uma imagem desta edição, este é o retrato de uma vida. E o espelho de milhões de vidas, à espera de reencontros sonhados.

No calendário da pandemia há outras imagens que falam alto, como a criança que tem de ter a força de um adulto para não abraçar o pai que acaba de chegar; veio de um trabalho onde esteve em contacto com grupos de risco.

Poder estar próximo, lado a lado, passou a ser um luxo deste tempo marcado pelo medo. Medo do desconhecido. Medo do que conhecemos e não queremos perder. A hierarquia do que é importante passou a ter uma outra escala, centrada em valores onde os bens materiais se reduzem apenas ao que sempre deviam ser, o mínimo indispensável, e nunca o essencial da vida.

Olhamos à nossa volta e descobrimos a magia de sentimentos que fazem mexer o mundo. A solidariedade é uma mão que se estende a outra, com conforto, alimento e esperança. Há um novo sentido de vida. Veio para ficar?

A pandemia abanou a vida apressada e a correria louca que nos obrigava de forma cega a querer chegar mais longe, como se fôssemos um rato a girar numa roda circular.

Sem preparação, entrámos numa espécie de retiro que nos eleva para o que é autêntico. Nunca como agora a expressão um dia de cada vez significou tanto.

Como vamos regressar em segurança? Regressar a quê e para que segurança? À roda circular que nos faz correr?

Em poucas semanas aprendemos grandes lições. Seja feliz.