Select Page

O meu diário: Carnaval

Helena Vasconcelos

Helena Vasconcelos

Médica

Atrevia-me a afirmar que as pessoas no mundo se dividem em 3 grupos: as que detestam o Carnaval, as que o adoram e as que o toleram com um sorriso de benevolência. As primeiras são quase sempre austeras, sérias e muitas vezes severas no julgamento das ações e comportamentos dos outros. Carecem quase sempre de sentido de humor e são aquelas que em segredo apelidamos de chatas ou secantes. O segundo grupo que adora o Carnaval representa as pessoas mais abertas, permeáveis à mudança, capazes de encarnar outras figuras e personalidades, que ousam experimentar novas sensações. São quase sempre entusiastas que se deixam enamorar pela novidade pela festa, inebriar pela alegria. Têm muita dose daquelas hormonas que potenciam a alegria e a paixão, como a dopamina, ocitocina e mesmo serotonina. Os terceiros, nos quais me incluo, são aqueles que não conseguindo ousar, gostam e admiram aqueles que sem inibições conseguem assumir novos papéis e novas posturas. Se lhes puserem uma cabeleira não a rejeitam mas não ficam dias e dias a preparar a festarola.

Admiro a Nazaré e o seu povo intenso que ama muito, que chora muito e que se diverte à brava no Carnaval. Conseguiu manter o seu trajeto Carnavalesco adotando aqui e ali uma pitada de Carnaval brasileiro mas não perdendo a sua tradição e genuinidade. Quem frequenta os bailaricos das várias associações na Nazaré, da qual o Mar Alte é a minha favorita, respira uma atmosfera única e não comparável a nada que conheço. Consegue-se ver lado a lado três gerações em absoluta folia e quase sempre com uma atitude muito saudável. Não necessitam de álcool em demasia para extravasar alegria e descontração, coisa que os povos mais austeros necessitam quase sempre de recorrer. Têm grupos de mulheres que desfilam em bando e que recrutam as suas meninas para integrar estes grupos: ser Trotineta ou Alberquêra ou Tenanta é um cartão de visita. Reparei que por aqui ainda há muita gente que não conhece o Carnaval profundo que se vive na Nazaré e olhem que vale mesmo a pena, desde que façam parte do segundo ou do terceiro grupo. Ponham na agenda do próximo ano.

(Artigo publicado na edição de 7 de março de 2019)

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Share This