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Tempo incerto: Uma incógnita como futuro | Região de Leiria

Tempo incerto: Uma incógnita como futuro

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

A 1ª Guerra mundial e a Revolução Bolchevique de 1917 redesenharam o mapa político da Europa e contribuíram para a ascensão dos nacionalismos e do nazi-fascismo, que está na origem da 2ª Guerra Mundial.

O liberalismo claudicou no continente europeu, ao longo dos anos trinta, perante a criação de múltiplas ditaduras e do modelo de Estado totalitário. Após a 1ªGuerra Mundial, os EUA fecharam-se sobre si próprios e abandonaram uma Europa incapaz de superar as feridas da grande guerra fratricida.
A política das Quatro Liberdades de Roosevelt transformou os EUA num pilar fundamental para derrotar o nazi-fascismo. Desde então, a segurança e a prosperidade da Europa assentaram na relação transatlântica, consagrada no Plano Marshall e na NATO, enquanto instrumento da contenção político-militar da URSS que, em 1945, regressa ao centro do velho continente, onde impõe novas fronteiras e uma soberania limitada aos países de Leste. A Europa e a Alemanha ficam divididas em dois blocos político-militares.
Durante a Guerra Fria, apesar das rivalidades entre os EUA e a URSS, a protecção nuclear americana garantiu a paz na Europa Ocidental, tendo-se, todavia, registado intervenções militares da URSS na Hungria, em 1956, e na Checoslováquia, em 1968, para manter a tutela na sua zona de influência.
A desagregação da URSS gerou a hegemonia temporária dos EUA e uma política mais agressiva à escala global, nomeadamente após os atentados do 11 de Setembro. A Alemanha, reunificada após a queda do Muro de Berlim, transformou-se no coração económico e político da UE. A relação transatlântica manteve-se.
A globalização, o ressurgir da China como grande potência económica e militar e o nacionalismo imperial de Putin vieram gerar novas tensões internacionais e relativizar a posição dos EUA à escala global. A UE representa, agora, a única entidade democrática susceptível de vir a possuir um estatuto semelhante ao dos EUA na cena internacional, se vier a criar meios militares e estratégicos adequados e se tiver uma política consequente, capaz de enfrentar a aliança tácita de Trump com Putin e as intenções de ambos para fazerem implodir a UE, com o apoio dos movimentos e partidos de extrema-direita. Caso continue paralisada, a UE soçobrará perante os nacionalismos populistas e a sua ordem política.
Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Texto publicado na edição de 26 de janeiro de 2017)

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