Um túnel que poderá ter centenas de anos foi descoberto, por acaso, em Vestiaria, freguesia de Alcobaça, informou o presidente da junta à Agência Lusa.

A descoberta do túnel aconteceu quando, no decorrer de obras no pavimento, os operários detetaram um abatimento do piso, segundo conta o presidente da Junta de Vestiaria, António André

“Os operários estavam a fazer um alicerce e quando escavaram para colocar o lancil depararam-se com um buraco fundo, que abriram um pouco mais”, acrescenta António André, que comunicou de imediato o achado à Câmara Municipal de Alcobaça.

Com cerca de um metro de largura e dois de altura, o túnel terá vários metros de extensão e para numa sala “com mesas e bancos”.

“O túnel tem continuidade, mas estará barrado por raízes de eucalipto. Vamos ver se é possível abrir para ver onde vai dar. Suspeito que quando foram abertas as condutas de água que poderão ter fechado parte do túnel”, adianta ainda o presidente da junta.

A origem da passagem subterrânea é para já desconhecida. O presidente da Câmara de Alcobaça, Paulo Inácio, afirma que já enviou arqueólogos ao local, mas “ainda não existem respostas”.

Considerando o achado importante para o concelho, Paulo Inácio prefere não “especular” sobre o que poderá ser a passagem subterrânea.

“A situação já foi sinalizada ao Igespar [Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico] e a câmara está a analisar a descoberta na sequência de trabalhos que estão a ser realizados”, acrescenta o presidente da autarquia.

António André acredita que a passagem subterrânea era utilizada pelos frades do Mosteiro de Alcobaça, já que é conhecida uma rede de túneis que ligava o mosteiro ao castelo e a outros pontos, para refúgio dos monges e para evacuação da população.

Os trabalhos da junta vão continuar, mas o local vai ficar preservado. “Vamos fazer uma porta para as pessoas poderem visitar”, revelou ainda o presidente da junta.

O Mosteiro de Alcobaça está classificado como Património da Humanidade pela UNESCO e como Monumento Nacional, desde 1910, pelo Igespar. Em 7 de Julho de 2007 foi escolhido como uma das sete maravilhas de Portugal.