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Corte de árvores no Pinhal de Leiria vai criar “buraco” com sete mil hectares

Fogos de 15 e 16 de outubro consumiram 86% da Mata Nacional de Leiria Foto: Joaquim Dâmaso

Passou um mês e meio sobre o incêndio no Pinhal de Leiria e ainda ninguém tem a total noção das consequências, diretas e indiretas. Os fogos de 15 e 16 de outubro foram devastadores sim, consumindo 86% da Mata Nacional de Leiria, dois terços da área do concelho da Marinha Grande. O trauma aumentará à medida que se for percebendo a dimensão efetiva da tragédia: “Vamos ficar com um buraco de cerca de sete mil hectares”, anunciou o secretário de Estado das Florestas numa visita à Marinha Grande, na semana passada. Miguel Freitas diz que quando começarem a ser cortadas as árvores afetadas pelo fogo, o cenário vai “ter um impacto enorme junto das populações”.

“Temos bem a consciência do impacto psicológico que vamos ter junto da população quando começarmos a cortar o pinhal”, sublinha o governante, que quer mostrar que “as populações não estão sozinhas no sofrimento”. Os cálculos apontam para que seja abatido um milhão de metros cúbicos de madeira de pinho, o que obriga à criação de um programa especial para escoar essa matéria-prima. “Estamos preocupados sobre como vamos fazer entrar esse milhão de metros cúbicos no mercado”, disse o secretário de Estado. Vão ser criados parques de madeiras para conservar a madeira do Pinhal de Leiria, que deve ser vendida nos próximos três anos.

Parte dessa madeira pode vir a ser aplicada numa das ideias apresentadas pela Câmara da Marinha Grande à secretária de Estado do Turismo. Ana Mendes Godinho também visitou a Marinha Grande e ouviu Cidália Ferreira. Uma das sugestões mais arrojadas passa pela utilização do pinho da Mata Nacional num empreendimento turístico a criar junto ao Parque do Engenho, onde se deseja que seja finalmente instalado o Museu da Floresta.

A presidente da Câmara quer utilizar “as madeiras retiradas da mata, como marca do que tínhamos, para ficarem estas madeiras como símbolo do futuro”. Outras propostas passam pela criação de um centro de interpretação, aproveitamento das casas dos guardas na mata e pontos de vigia para fins turísticos, construção de ciclovias, conclusão do estuarino na Praia da Vieira, entre outros.

Dentro de quatro meses, o Governo compromete-se a apresentar o plano para o futuro do Pinhal de Leiria. No imediato, ficou prometida para dentro de uma semana a intervenção de urgência para consolidar os solos em zonas de risco para as linhas de água, como a Ribeira de S. Pedro.

Fogos com prejuízos  de milhões

As contas ainda não estão totalmente fechadas e os prejuízos saídos do incêndio no Pinhal de Leiria, o mês passado, já ultrapassam os 2,5 milhões de euros. De acordo com a Câmara da Marinha Grande, as estimativas realizadas até ao momento apontam para um milhão de euros de prejuízos no que refere a edifícios de primeira e segunda habitação, bem como anexos.

Somam-se ainda cerca de 800 mil euros de prejuízos em diversas atividades económicas – sem que esteja contabilizado o impacto na agricultura. A lista inclui ainda aproximadamente 600 mil euros de danos em infraestruturas, embora o município adiante que este valor ainda não inclui a totalidade dos danos.

No capítulo do turismo, o Parque de Campismo da Vieira terá sofrido danos no valor de 110 mil euros, estimando-se em 20 mil euros o investimento necessário para a “reponderação” dos percursos pedestres que foram atingidos pelo fogo. O levantamento ainda decorre, adianta o município que lembra prejuízos impossíveis de calcular e que se prendem com o desaparecimento do Pinhal de Leiria e das suas árvores notáveis, para além de outros elementos patrimoniais.

O levantamento em curso “é um trabalho dinâmico e que não se encontra concluído”, explica a Câmara da Marinha Grande, adiantando que “ a principal preocupação foi com levantamento dos danos que implicaram com as pessoas”. Atualmente, está em curso o levantamento dos danos causados em diversas infraestruturas públicas.

França oferece 50 mil árvores 

Fontenay-sous-Bois, município francês geminado com a Marinha Grande, pretende oferecer 50 mil sementes (tantas quantos os habitantes do município) para ajudar a reflorestar o Pinhal de Leiria. A intenção foi manifestada dia 16 de novembro à Câmara da Marinha Grande. O próprio presidente do município francês deverá participar na ação de reflorestação marcada para  fevereiro. Ao talhão para onde forem destinadas as 50 mil novas árvores “será dado o nome de Fontenay-sous-Bois”. O talhão poderá acolher árvores francesas, à semelhança do sucedido nos primórdios do Pinhal de Leiria.

 

Manuel Leiria 
Jornalista
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

 

Texto publicado na edição de 23 de novembro de 2017 do REGIÃO DE LEIRIA

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