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Tempo incerto: O SMO

José Vitorino Guerra

José Vitorino Guerra

redacao@regiaodeleiria.pt

Tempo incerto: O SMO

Ago 18, 2018 | Opinião | 0 comentários

No início do século XXI, o poder político acabou com o Serviço Militar Obrigatório (SMO) e profissionalizou as Forças Armadas (F.A.), através de um regime de voluntariado, também aberto às mulheres. No fundamental, pretendia-se satisfazer as pressões de algumas juventudes partidárias que viam no SMO um entrave à sua rápida progressão rumo a uma sinecura política.

Umas F.A. inteiramente profissionais são mais caras, a sua atractividade depende muito dos incentivos oferecidos, têm tendência a enquistar do ponto de vista social e ideológico e podem vir a perder legitimidade identitária e funcional pela crescente ruptura entre o cidadão e a instituição militar. Desde então, as F.A. têm vindo a enfrentar uma contínua redução de efectivos. Mudaram, entretanto, as ameaças no cenário internacional, diversificaram-se as missões internacionais e de interesse público, a par de um maior envolvimento na segurança interna.

Em declarações recentes, o Ministro da Defesa equacionou o regresso ao SMO e logo se fez ouvir imperativo e escandalizado protesto por parte do secretário-geral da Juventude Socialista e jovem deputado. Na prática, verberou o Ministro e considerou o hipotético regresso do SMO um “retrocesso civilizacional” que iria deixar os jovens à “mercê da reposição deste regime de carácter militarista”. E do alto da sua pomposa cátedra política afirmou: “Não nos revemos nesta visão passadista do que deve ser o estado ou o sentimento de nacionalidade, como ela nos remete para um tempo ao qual Portugal não deve voltar”. Recorde-se que o SMO terminou cerca de três décadas após o 25 de Abril de 1974. Perdoa-se o lapso de memória! Todavia, lamenta-se que ninguém dentro do PS, mais sensato e responsável, tenha posto o jovem deputado em sentido.

Era aconselhável o regresso ao SMO, integrado num sistema misto de serviço público para com a República e a Democracia, que lembrasse os jovens de que as suas responsabilidades cívicas e de cidadania vão muito para além dos direitos que a Constituição lhes reconhece e que também têm deveres para com a comunidade nacional e o Estado, nomeadamente, em termos de defesa militar e de segurança colectiva, nos dias que correm, instáveis e perigosos.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(Artigo publicado na edição de 16 de agosto de 2018)

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