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Contra ventos e marés, eles permanecem na praia com areia rija e boa disposição

Por estes dias, o sol, fora de época, começa a dar um ar da sua graça. Lembra o verão, as férias e a praia… É por lá que é fácil encontrar os protagonistas deste texto. Mesmo quando o sol, longe dos meses quentes de verão, insiste em não aparecer. A praia é pouso certo todo o ano.

Um agasalho ou fato térmico ajudam a contrariar o frio que se possa sentir. Depois de um bom aquecimento e alguns exercícios, a “barreira térmica” é colocada de lado e é tempo de passar à ação.

Pedro Teles, de 29 anos, começou a fazer skimming no verão de 2005, com uma prancha emprestada, na Praia da Vieira. Rapidamente arranjou uma de madeira construída pelo pai, que é carpinteiro, e desde 2008 que não falha um fim de semana.

No verão, skima oito vezes por mês, no inverno, com menos disponibilidade, seis. Pedra do Ouro, Polvoeira, Paredes de Vitória e Vale Furado são os spots mais frequentados e a segunda a preferida. “A Polvoeira distingue se de todas as outras por ganhar uma baía somente no verão, proporcionando uma onda única, comprida e fácil de apanhar. Por vezes chega a ser possível ir a surfar a mesma onda durante 30 segundos, num dia muito bom”, explica.

“A calma que a praia nos dá é impressionante e única. Está vazia, um verdadeiro cantinho do céu, com o sol de inverno a bater na cara e, se for sem vento, a sensação é brutal”.
André Miguel

Também o marinhense André Miguel, de 26 anos, que conheceu a modalidade graças ao amigo Pedro Teles, realça a importância da Polvoeira. “Toda a gente que faz skimming, mesmo que nunca tenha ido lá, conhece a praia”, diz.

No inverno, o vento, as correntes, o mar mais agressivo e as condições meteorológicas condicionam a prática, mas “quem faz ondas, procura a praia ideal e adapta-se”, justifica André Miguel, que pelo menos uma vez por semana veste o fato térmico e experimenta a temperatura da água com a prancha colada aos pés.

“A calma que a praia nos dá é impressionante e única. Está vazia, um verdadeiro cantinho do céu, com o sol de inverno a bater na cara e, se for sem vento, a sensação é brutal. Só nos cruzamos com alguns pescadores, ao contrário do verão em que enfrentamos uma multidão”, reconhece.

“O inverno não é a melhor altura do ano para skimar, isso é certo! Mas sempre ouvi dizer que ‘quem corre por gosto não cansa’”, acrescenta Pedro Teles. “Costumo dizer na brincadeira ‘uma skimada por dia e não sabes o bem que te fazia’. O skimming faz-me muito bem e não me vejo nos próximos 10 anos sem skimming na minha vida”, continua. A prática ajudou-o ainda a combater as crises de bronquite asmática e funciona para esquecer o stress do dia a dia.

Pedro Teles, com a prancha azul, e André Miguel, com prancha preta, fazem skimming todo o ano
Fotos: Tiago Carreiras e Inês Marcelo

Família encharcada

A presença dos LFO – Leiria Flying Objects no areal durante o inverno, já levou alguns curiosos a parar, perguntar o que estavam a fazer e experimentar. A equipa de ultimate frisbee procura a praia ao fim de semana, quando se aproxima alguma etapa, ou treino com a seleção nacional, como aconteceu em janeiro, na Nazaré, ou, naturalmente, no verão, a melhor altura.

“As condições meteorológicas não são um problema até porque temos que estar preparados para jogar em qualquer circunstância… com chuva ou com sol e muitas vezes até com vento que é o inimigo principal”, explica Frederica Biel, membro da direção dos LFO.

No final do ano passado, alguns elementos da equipa foram até São Pedro de Moel gravar umas imagens de treino. “O vento era tanto que nem os olhos conseguíamos abrir, lançar um disco ou tentar fazer alguma coisa de jeito. Foi uma autêntica aventura. Apesar das dificuldades, não desistimos e, para além do resultado final ter sido positivo, divertimo-nos muito, que é o principal”, conta, lembrando o companheirismo e a “família” que nasce da prática do frisbee. “Podemos sair encharcados e cheios de frio mas o tempo que passamos juntos a jogar, compensa isso tudo”, salienta.

Areia solta

Para preparar a próxima época, a equipa de futebol de praia da ACD O Sótão já está a treinar desde novembro. O clube tem cerca de 100 praticantes, dos sub8 aos sub18, mais as equipas seniores masculinas e femininas. João Carlos Delgado, atleta formado no clube, assume este ano as funções de treinador principal e coordenador da formação. “Eu nasci a jogar futebol na areia. Na minha infância, era raro o dia em que não houvesse um ‘joguinho’ de futebol na praia, fizesse chuva ou fizesse sol.

Organizávamos diversas equipas na Nazaré, entre os miúdos que viviam no Sítio e os que viviam na Praia, os que viviam a sul e os que viviam a norte. Era uma rivalidade bairrista e os jogos em vez de serem disputados nas ruas, quintais ou mesmo ringues, eram disputados no areal da praia da Nazaré”, recorda.

Talvez esta “tradição” justifique a existência de um tão elevado número de jogadores de futebol de praia, alguns campeões da Europa, oriundos da Nazaré, ou a realização de campeonatos nacionais e europeus. Bruno Vidinha, por exemplo, tem 32 anos e joga futebol de praia há 12. “Sempre e só no Sótão”, evidencia.

Ainda que os principais campeonatos aconteçam no verão, a preparação começa longe das altas temperaturas e da areia solta e surgem as primeiras ligas de inverno.

 

João Carlos Delgado

Bruno Vidinha

Como em todas as modalidades, o estado do terreno tem influência no desempenho dos jogadores e na qualidade de jogo e o inverno não é alheio a isso. “Uma areia solta propicia um futebol de praia mais espetacular, com a bola a ser jogada pelo ar e com execuções técnicas fantásticas por parte dos jogadores”, reconhece o técnico, antigo guarda-redes internacional, por 138 ocasiões.

Já o ala Bruno Vidinha explica que, apesar do frio ser o que mais incomoda no inverno, “com a areia molhada, a bola tem tendência a agarrar os grãos de areia e isso, muitas vezes, magoa os pés”. Mesmo assim, a equipa não valoriza e desfruta do momento de treino, que pode ser condicionado mas não alterado. “No verão, as condições climatéricas são ótimas para a prática da modalidade e, por vezes, até queremos é que estivesse mais frio”, brinca.

O cenário fixa a atenção dos turistas que passeiam na marginal, alguns pela coragem que encontram no grupo, outros pelos dotes dos jogadores do Sótão. “As pessoas todas encasacadas e nós a pisar a areia gelada, de pés descalços. Até se arrepiam! No entanto, cada vez mais [as pessoas] têm a noção que esta modalidade já não é tão sazonal. Assim como nós também gostamos de pisar a areia em qualquer altura do ano, faça chuva ou faça sol”, diz.

“Até é uma forma de descontração para quem assiste aos treinos, a partir do paredão da marginal da Nazaré”, remata João Carlos Delgado.

(Artigo publicado na edição de 14 de fevereiro de 2019)

Marina Guerra

Jornalista

marina.guerra@regiaodeleiria.pt

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