A câmara de Alcobaça foi notificada Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) “sobre o início da fase de audiência prévia com vista à elevação do Mosteiro de Coz e todo o seu aglomerado arquitetónico a Monumento Nacional”.

“Trata-se de um processo que está muito próximo da sua conclusão”, revelou este domingo, dia 19, o presidente da autarquia, Paulo Inácio, adiantando que “é um enorme orgulho para Alcobaça ganhar um quarto monumento nacional e abrir, desta forma, as portas para obtenção de fundos comunitários com vista à recuperação de tão digno monumento”.

O autarca destaca “o muito trabalho e insistência” do município e envia “uma palavra de apreço e de felicitação à União de Freguesias de Coz Alpedriz e Montes, aos seus fregueses e aos alcobacenses”.

A diretora-geral da DGPC já tinha emitido um despacho de concordância (12-02-2020), na sequência de um parecer da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura (SPAA – CNC) a propor a ampliação a reclassificação como Monumento Nacional e a redenominação para “Igreja e parte do antigo dormitório e restantes dependências do Mosteiro de Santa Maria de Coz (7-02-2020)”.

A fundação deste mosteiro, destinado, segundo relatos da época, a receber algumas viúvas devotas que asseguravam o funcionamento da poderosa abadia de Alcobaça, datará da primeira metade do século XIII.

“Embora a instituição detivesse grande importância na povoação que se desenvolvia à sua sombra, o número de monjas e professas manteve-se modesto até ao século XVI. O ponto de viragem na vida da comunidade deu-se c. 1530, quando o mosteiro foi reconhecido pela Ordem de Cister, e elevado a abadia regular. As edificações medievais já haviam sofrido pelo menos uma grande intervenção, datada de 1519-27, e talvez conduzida por João de Castilho, da qual o vestígio mais notável é o portal manuelino recolocado no extremo nascente do coro da igreja”, segundo Sílvia Leite, da DGPC.

“O período áureo da comunidade religiosa terminou com a destruição causada pelo Terramoto de 1755, que desalojou as monjas, e com a extinção das Ordens religiosas, em 1834, à qual se seguiram o saque generalizado e a ocupação desordenada dos espaços monásticos “, conclui.