A requalificação do Penedo Furado, um monumento geológico com milhões de anos em risco de ruir devido à erosão, arrancou esta segunda-feira, dia 15, na Foz do Arelho, divulgou a câmara das Caldas da Rainha.

A intervenção pretende “minimizar o risco de derrocada” e assegurar a preservação do monumento “de forma mais duradoura”, informou a autarquia que, nos últimos anos, tem tentado minorar os danos no penedo em risco de ruir devido à queda de sedimentos.

Localizado na margem norte da Lagoa de Óbidos, na freguesia da Foz do Arelho, no concelho das Caldas da Rainha, o Penedo Furado é um enorme rochedo com milhões de anos, onde a erosão fez uma abertura em forma de arco.

O rochedo que remonta ao período jurássico “encerra informações geológicas com milhões de anos e, segundo diversos especialistas, não há outro igual no mundo”, refere um comunicado da câmara, sublinhado que a raridade do monumento se deve ao facto de “todas as formações semelhantes se encontrarem na costa, enquanto o Penedo Furado se situa no interior do continente”.

Uma situação justificada pela circunstância de o local onde está implantado ter sido, em tempos, banhado pelo mar e que, devido ao recuo dos oceanos acabou rodeado por terra.

Fatores que, segundo a Câmara das Caldas da Rainha, atribuem ao geomonumento “relevância mundial” e justificam as intervenções de salvaguarda efetuadas ao longo dos anos, com base em estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

“A implacável erosão causada pelos elementos naturais, como a chuva, o vento e a ação de organismos biológicos, como a vegetação arbustiva e plantas”, são as causas da debilidade do penedo, no qual as quedas e os desprendimentos de sedimentos provocaram a abertura de fraturas e a diminuição da resistência da estrutura rochosa.

Estas circunstâncias “permitem a entrada e circulação da água, promovendo alterações que levam à desintegração da pedra”, explica a câmara, vincando o facto de a zona do arco e a face sudeste do hasteal rochoso se encontrarem “numa situação muito vulnerável, elegendo-se estes locais como alvos prioritários para a implementação de medidas do tipo das já realizadas em intervenções prévias”.

Na primeira fase da intervenção, os trabalhos custarão cerca de 57 mil euros e contemplarão, além de “ações diversas e cirúrgicas”, a realização de testes “para averiguar quais os procedimentos mais adequados tendo em conta que é fundamental preservar, no essencial, a identidade geológica e estética da formação”.

O risco de derrocada do Penedo Furado levou a autarquia a encomendar ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em 2016, um estudo que confirmou a existência de “fraturas e fendas”, algumas das quais “invadidas por raízes [da vegetação] que conduzem a “uma elevada probabilidade de desmoronamento do arco rochoso”.

No relatório, o LNEC propunha que fossem realizadas a curto prazo intervenções de manutenção e conservação “para retardar os efeitos dos processos erosivos do geomonumento” e, numa segunda fase, intervenções de estabilização do rochedo.