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Desporto

Caldas SC sonha reeditar caminhada histórica na Taça de Portugal

O técnico José Vala elenca a “qualidade da equipa”, a “motivação de jogar a Taça de Portugal” e o apoio no campo da Mata como as principais “armas” para discutir o jogo diante do Belenenses SAD

Na temporada 2017/18, o Caldas SC, que militava no terceiro escalão, foi a grande surpresa ao atingir as meias-finais da Taça de Portugal de futebol e esta época sonha reeditar a caminhada histórica na prova rainha.

Na próxima eliminatória, agendada para o dia 21, a formação de Caldas da Rainha recebe o primodivisionário Belenenses SAD e para João Rodrigues, que leva cinco golos na Taça de Portugal e é um dos dois melhores marcadores da prova, será um jogo especial por se tratar da ex-equipa. 

Em 2018, o Caldas SC procurou reeditar o feito alcançado em 2001/02 pelo Leixões, tornando-se a segunda equipa abaixo do segundo escalão a chegar à final da Taça de Portugal de futebol. Viria contudo a ser derrotado pelo Desportivo de Aves, que ergueu o troféu nessa época FOTO DE ARQUIVO

“Vou encarar a partida com a mesma importância de outras, mas um pouco mais empolgado por ser contra amigos e ex-colegas de equipa”, conta o avançado do Caldas SC, que na época 2018/19 jogou pela equipa de sub-23 da Belenenses SAD e fez a estreia pela equipa principal na I Liga, por empréstimo do Leixões, clube com o qual manteve um vínculo de três temporadas.

O jogador conta que o trajeto do Caldas SC foi tema de conversa recorrente nos balneários onde passou e mostrou-se confiante de que o clube poderá repetir novo feito histórico.

“Se pudesse repetir um momento, seria a caminhada na Taça de Portugal”, confessa o avançado, de 27 anos, que regressou na última temporada ao clube de Caldas da Rainha e que é um dos jogadores mais “queridos” da massa associativa.

O mesmo sentimento é partilhado por Diogo Clemente, que foi um dos jogadores que beneficiou daquela temporada e mais tarde representou Oliveirense e Arouca, na II Liga, e Estrela da Amadora, no Campeonato de Portugal. 

Ainda assim, o lateral jamais esqueceu a equipa do “coração”. “Trocava as minhas subidas de divisão para viver novamente o que vivemos naquela temporada”, reitera o futebolista, de 26 anos, que na última temporada festejou a subida à I Liga pelo Arouca, pelo qual jogou na primeira metade da época, antes de rumar ao Estrela da Amadora, clube onde terminou a temporada e que ajudou a subir à II Liga.

Todavia, apesar da enorme visibilidade que ganharam com a campanha na Taça de Portugal existiram jogadores que resistiram às propostas e permaneceram no clube de sempre.

“Houve propostas de clubes que competiam no mesmo escalão do que o Caldas SC, e mesmo que oferecessem condições financeiramente melhores, não conseguia imaginar jogar contra o meu clube do coração”, justifica Thomas Militão, que enverga a braçadeira de capitão e contabiliza mais de duas décadas ao serviço do Caldas SC, as últimas 10 na equipa sénior.

Ainda que considere uma tarefa “muito complicada”, o defesa sonha com a realização de novo trajeto histórico. “Temos hoje jogadores que escolhem o Caldas SC pelo percurso que o clube fez na Taça de Portugal “, sustenta o líder de balneário, acrescentando que o espírito de grupo foi e continua a ser decisivo no emblema caldense.

“Naquela temporada, tínhamos sete jogadores no plantel que andaram na mesma escola em simultâneo”, recorda, destacando que o Caldas SC é um clube “diferente” pelo facto de grande parte dos atletas serem de uma área geográfica muito próxima e se conhecerem desde muitos jovens.

Mais contido é o técnico José Vala, que ainda permanece à frente da equipa. “Todos os anos nos lembramos dessa época e isso não nos tem sido favorável. Na época seguinte, fomos eliminados na segunda eliminatória e os jogadores estavam desolados no balneário por se lembrarem do que tinham vivido e do desejo de voltar a viver algo semelhante”, recorda, lembrando que, por vezes, aquela época se torna prejudicial para o plantel, uma vez que coloca pressão acrescida no que considera ser um feito “muito difícil de repetir”.

O técnico, de 49 anos, elenca a “qualidade da equipa”, a “motivação de jogar a Taça de Portugal” e o apoio no campo da Mata como as principais “armas” para discutir o jogo diante do Belenenses SAD, contudo, destaca o facto de Filipe Cândido, recentemente anunciado como técnico da formação lisboeta, ser um profundo conhecedor da equipa do Caldas SC.

“Já nos enfrentámos várias vezes nos campeonatos nacionais e conhece bem os nossos jogadores e a nossa forma de jogar”, aponta.

Na temporada 2017/2018, o Caldas SC eliminou Lourinhanense, Olímpico de Montijo, Cesarense, Arouca, Académica, Farense, acabando por cair diante do Desportivo de Aves, que viria a erguer o troféu nessa época.

Esta temporada, a formação ‘alvinegra’ já deixou pelo caminho Abrantes e Benfica, Amora e Sporting Espinho, e vai receber o Belenenses SAD, da I Liga, no próximo dia 21, em jogo da quarta eliminatória da Taça de Portugal, naquele que será o primeiro embate diante de uma equipa de um escalão acima. 

Texto: Rafael Raimundo, da agência Lusa

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