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A preto e branco: Dias de mãe

Celebrou-se há menos de uma semana um dos poucos dias verdadeiramente universal, a ser celebrado independentemente do sexo, religião, etnia, idade ou estatuto social.

Elsa Rodrigues, professora elsardrgs@gmail.pt

Celebrou-se há menos de uma semana um dos poucos dias verdadeiramente universal, a ser celebrado independentemente do sexo, religião, etnia, idade ou estatuto social. Para todos, é no ventre da mãe que tem origem o nosso universo. É a partir das suas entranhas que ganhamos forma e nos tornamos únicos. A mãe é o nosso primeiro mundo. Nela estamos contidos e é dela que temos de sair (física e emocionalmente) para o mundo.

Mas o mundo afigura-se um sítio cada vez mais hostil para lhe entregar filhos. Os futuros que se aproximam parecem incapazes de concretizar esperanças e expectativas acumuladas em anos de relativo bem estar social. No entanto, a antevisão de futuros sombrios nunca impediu a perpetuação da espécie nem comprometeu o percurso da humanidade. Apenas no último século, mães entregaram filhos ao mundo para morrerem em guerras mundiais ou coloniais, para lutarem por vidas mais livres e dignas, ou até para replicarem as condições de miséria em que elas próprias existiam. Até ao final do século passado nenhum presente parecia agourar melhor futuro. Curiosamente, foi apenas quando os futuros se tornaram mais otimistas que os pais decidiram trazer ao mundo menos filhos.

Mas hoje, como no passado, apesar dos futuros menos que perfeitos que nos esperam, a maternidade continua a ser o melhor projeto para nos aproximar da eternidade.

(texto publicado na edição em papel de 11 de maio de 2012)