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A preto e branco: Realidades virtuais

O mundo virtual tornou-se uma realidade essencial para a maior parte de nós.

Elsa Rodrigues, professora elsardrgs@gmail.com

O mundo virtual tornou-se uma realidade essencial para a maior parte de nós. As redes sociais, nomeadamente o Facebook, assumiram-se como locais de encontro e de partilha, comunidades a que todos podem pertencer e onde qualquer um, independentemente da idade, género, etnia ou condição social, pode fazer amigos.

Graças a elas nunca se está desligado do mundo nem completamente sozinho. Pode, a qualquer momento, abrir-se um ecrã e partilhar a vida. Num universo ideal, estas características fariam com que as redes sociais nivelassem assimetrias, aproximando pessoas, consolidando pertenças e alimentando o debate público. Mas estudos recentes mostram que, no mundo real, a virtualidade das comunicações está a trazer mais prejuízos do que benefícios. A crescente exposição da vida privada, a curiosidade de ver, a necessidade de ser visto e aprovado publicamente, a facilidade com que se estabelecem e desfazem relações e o modo como tudo isso ocupa o tempo real e emocional que deveríamos dedicar a quem habita a nossa realidade física, são razões para repensar o modo como utilizamos estas novas ferramentas sociais. Isso e o rasto eletrónico indelével de todas as nossas ações virtuais. Para o confirmar, basta fazer download dos dados do Facebook. Serão centenas de páginas que nos darão a conhecer a personagem virtual que fomos sendo. Assustador!

(texto publicado na edição em papel de 3 de agosto de 2012)