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Culturismos: It’s the economy, stupid!

A Cultura tende, cada vez mais, a ser o parente pobre das actuais estratégias do suposto crescimento e da aparente fuga à recessão. O investimento é apelidado de desperdício e o apoio às artes não se consegue facilmente traduzir em dados estatísticos positivos numa evolução económica, para além de dificilmente capitalizar votos.

Hugo Ferreira hjferreira@gmail.com

A Cultura tende, cada vez mais, a ser o parente pobre das actuais estratégias do suposto crescimento e da aparente fuga à recessão. O investimento é apelidado de desperdício e o apoio às artes não se consegue facilmente traduzir em dados estatísticos positivos numa evolução económica, para além de dificilmente capitalizar votos.

Revelador disso mesmo é o facto de, ao longo de 2011, a Cultura ter perdido o direito a um ministério próprio nos dois lados da Península Ibérica.

Sintomático também é o facto de, até esta altura, não ter sido disponibilizada qualquer informação sobre regras e prazos de atribuição de apoios anuais no portal da Direcção-Geral das Artes.

Porque nunca defendi a “subsidiodependência” e, sobretudo, por essa razão, não tomem estas curtas palavras como um sinal de protesto mas antes uma constatação. Até porque, no que a Leiria diz respeito, talvez não haja muito a esperar, tendo em conta que no passado ano de 2011 foram distribuídos pelas associações do país mais de 17 milhões e meio de euros e a toda a região das terras do Lis couberam em sorte 37 mil euros para uma instituição apenas (felizmente, ao Orfeão de Leiria). Fazendo as contas por alto, obtemos mais ou menos 0,2% da totalidade de verba disponível.

Não vale a pena especular sobre a vasta região territorial, a relevante densidade populacional e o contributo económico e empresarial de Leiria para o país. Se compararmos o total de verbas para apoio às artes com a distância de Leiria a Lisboa, com o que nos cabe chegamos… ali ao shopping.

E lá até podemos encontrar uma biografia de Carolina Salgado taxada a 6% e um disco de Carlos Paredes taxado a 23%.

Estratégia para a Cultura? It’s the economy, stupid!

(texto publicado na edição em papel de 6 de Janeiro de 2012)