Sofia Francisco, professora giraaosquarenta@gmail.com

É sempre o mesmo todos os anos. Sempre que se aproxima a Páscoa, não consigo fugir do sabor que as amêndoas tinham quando eu era uma menina de seis ou sete anos. Não existe, tenho a certeza, fórmula que transforme as amêndoas de hoje no sabor que tinham as do pacotinho que era deixado na mesa da sala do sr. prior (assim chamada porque a sala só era usada nesta altura).

Não tenho o hábito de olhar para o passado a pensar que antigamente é que era bom. Acredito no futuro, espero ansiosa pelo que ele me traz, habituo-me rapidamente às novas tecnologias, acho graça ao que as novas gerações inventam…Contudo, quando chega esta altura e ponho uma amêndoa na boca, o caso muda de figura. Já procurei nas mil e uma marcas, nos tipos franceses e noutros que tais, em confeitarias e supermercados, em espaços modernos ou tradicionais. Não vale a pena. Acho graça às de canela, às de chocolate, experimento as novidades, e nada. Nada se compara. Parece mesmo que não há açúcar suficiente capaz de suplantar a doçura das amêndoas das minhas memórias de infância.

Quando constato isso, verifico, uma vez mais, que Saint Exupéry tinha razão…nós somos da nossa infância como quem é de um país. E é por isso que eu sei que mesmo que me vá embora de Portugal, zangada, à procura de uma vida melhor… não encontrarei em nenhum lugar o sabor das que o padre Júlio me trazia!

(texto publicado a 28 de março de 2013)