Será que podíamos viver sem música, teatro, dança, livros e poesia? Sim, claro que podíamos. Podíamos viver sem arte? E depois o que seria de nós? E será que queremos viver sem ela? E se a queremos, temos de arranjar estratégias para a manter.

É mais fácil assobiar para o ar e deixar que alguém resolva. O Estado, os subsídios, eu sei lá, qualquer entidade remota que apareça para salvar os artistas. Eles não comem, nem pagam contas, só criam coisas belas para nos fazerem felizes. E criar de barriga vazia parece aumentar o talento, assim como a depressão.

Há uma coisa que se chama dignidade, e as pessoas que trabalham ou querem trabalhar nunca deveriam ter de estender a mão. Em séculos passados existiam os mecenas, que eram gente abastada que criava condições de sobrevivência aos artistas e os protegiam. Esses mecenas tinham a sensibilidade que muitos de nós, séculos depois, ainda não conseguimos cultivar.

Está visto que não podemos viver sem médicos e enfermeiros, que não podemos viver sem professores, motoristas, agricultores e um sem-número de profissionais. E sem artistas será que conseguimos?

Se os queremos temos de nos juntar a eles nesta luta pela dignidade e temos que conseguir juntos resolver os problemas. Pensem o que nos emociona na vida e o que nos distingue dos demais. O que seria um mundo sem música, sem teatro, sem cinema sem séries e como ficamos estimulados e inspirados pelo seu trabalho.

Só salvamos os muito bons propôs um amigo meu, e então onde estaríamos nós quase todos, se só os de excelência pudessem ter emprego? A mediania também tem direito à vida. Quem nos motiva, inspira e pinta o mundo de várias cores é tão importante como os operários, os juízes ou pescadores.

Consumam cultura e tentem educar os vossos filhos para respeitar, apoiar e apaixonarem-se pela arte. Sejam pequenos mecenas. Comprem quadros, livros e vão a espectáculos, levem os garotos aos museus e contem histórias sobre cada época e objeto. A educação para a cultura não é tarefa das escolas, mas de todas as famílias. Colaborem.

Artigo publicado na edição de 11 de junho de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA