Em tempos de pandemia, de confinamento à escala global e de restrições de toda a ordem, vemos que toda a sociedade científica mundial tem como principal preocupação os recursos naturais e o respeito pela boa utilização e preservação destes. E assistimos do nosso cómodo recato a algumas comunidades e sociedades a tomarem severas medidas em áreas urbanas, centros urbanos e centros industriais no sentido de reduzirem, o máximo que lhes é possível, os polos geradores de poluição responsáveis pela perda de qualidade de vida. É o caso de alguns bons exemplos de cidades da Coreia do Sul e do Japão que conseguem estar um passo à frente na perspetiva que têm sobre o futuro da humanidade e consequentemente da nossa sobrevivência no planeta.

Por cá verificamos que Leiria e a sua malha urbana faz o caminho oposto. É certo que não é uma vontade de todos os leirienses, muito menos será esse o entendimento das mais valiosas cabeças pensantes da região. Mas é esse o entendimento de alguns iluminados posicionados em cadeiras que lhes permitem, em conjunto, tomar algumas iniciativas aberrantes e que, à imagem do que sucedia no século XIII, servem apenas para entreter os plebeus que jamais deixarão passar uma festa ou romaria do feudo. Esquecendo estes que o seu legado será uma consequência do que vão semeando no seu dia-a-dia e que o Leiria Sobre Rodas não dará boa colheita. Para já, e apesar de não ter sido no fim de semana do Leiria Sobre Rodas 2019, mas num evento associado, temos um morto de consequência direta. Quantos mais terão de morrer? Quantas mais toneladas de alcatrão serão precisas? Quantos mais contentores de pneus serão necessários? E CO2, quanto toneladas mais serão expelidas por esses escapes? E quantas mais horas de ruído e decibéis serão espalhados? Não será esta a hora de arrepiar caminho senhores responsáveis?

(Artigo publicado na edição de 17 de setembro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)