E, de repente, o país adotou o on line. Lembram-se do Choque Tecnológico de Sócrates e dos Magalhães, nas escolas? Recordam-se como os pequenos computadores distribuídos aos milhares de alunos pelo país desencadearam a mais contraditória campanha de descrédito de uma medida pedagógica avançada? Sem o conjunto de medidas então adotadas, e que ficaram como das mais importantes da época, estaríamos hoje muito menos preparados para enfrentar o confinamento social obrigatório.

Tenho passado a minha vida profissional a implementar a informatização de escolas e de serviços e quando cheguei à DREC, em 2005, e quis enviar um e-mail para todas as escolas percebi que era impossível pois ainda não tinham adotado essa forma de comunicação. A luta pela comunicação por e-mail, que hoje parece ridícula, foi uma das batalhas difíceis que lá travei.

Refiro este episódio para se perceber como estavam então as escolas e os serviços públicos e como foi agora possível, de um dia para o outro, mudar a forma de dar aulas, de atender público, até de dar consultas médicas. Se há coisa positiva que a pandemia nos trouxe foi obrigar o país a fazer o que já devia ter feito há muito tempo, dar um salto quântico na utilização das novas tecnologias, nomeadamente da comunicação visual a distância.

É notável o que se está a fazer em todos os setores, dir-me-ão que se perde o contacto pessoal, pois perde, e o que se ganha? Muito, se as articularmos com o presencial. Claro que não podemos viver só do on line, mas este veio para ficar e, não duvido, que no futuro, seja nas escolas, seja em todas as outras atividades, o recurso à tecnologia que nos permite comunicar a distância em condições similares às presenciais e, em muitas situações, com vantagem, vai passar a ser rotina. Às vezes há males que vêm por bem.

(Artigo publicado na edição de 2 de abril de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)