Nos últimos dias têm sido notícia diversos episódios de agressões a profissionais de saúde no Serviço Nacional de Saúde. Não é exatamente uma novidade!

Em 2018, foram denunciadas 953 agressões a profissionais de saúde, no exercício da sua profissão número que, só nos primeiros nove meses de 2019, cresceu para 995. Um crescimento quantitativo, mas também qualitativo, com significativo incremento do grau de violência, que acabou por trazer o tema para o topo da atualidade mediática.

Há muito que as organizações que representam estes profissionais denunciam estas situações e reclamam medidas de proteção para os seus representados no exercício das suas funções, mas só agora, com o assunto nas primeiras páginas dos jornais e no prime time das televisões, o poder político, e em particular o Governo e o Ministério da Saúde, achou que tinha alguma coisa a dizer e a decidir sobre o problema. Mesmo que não se entendam nem sobre uma coisa nem sobre a outra.

Enquanto a ministra da Saúde anunciou a criação de um Gabinete de Segurança na Saúde na sua dependência direta, em colaboração com o Ministério da Administração Interna, o secretário de Estado da Saúde, o nosso amigo Dr Sales, agora em adiantado estado de proeminência mediática, acha que o problema se resolve com “chazinhos e bolos”. Ponham-se umas televisões nas salas de espera, sirva-se chazinhos e bolos aos utentes e tudo estará resolvido!

As invasões das urgências por falta de resposta dos cuidados de saúde primários, os tempos de espera por consultas de especialidade, os serviços a romper pelas costuras, a educação e a justiça é que, pelos vistos, não têm nada a ver com isto!

(Artigo publicado na edição de 23 de janeiro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)