Os presidentes das Câmaras de Coimbra e de Leiria ambicionam criar um aeroporto internacional na zona centro, cada um no seu quintal. Parece impossível, mas a zona centro não tem um aeroporto internacional! Além dos autarcas, não existem investidores nem companhias interessadas e ninguém sabe a posição da Vinci, concessionária monopolista da ANA. Tirando isso, cada capital de distrito devia ter um aeroporto internacional! Era giro irmos de Leiria a Coimbra num A-330, à falta do Concorde!

Os aviões sempre deram asas à imaginação, com os heróis de milhentas batalhas e a revolução no transporte aéreo, após a 2ªG.M.  Em tempos, a rapaziada ia de bicicleta a Monte Real ver os F-86 e os Fiat G-91, com o mesmo entusiasmo com que os F-16, nos nossos dias, deslumbram multidões. Depois, através das páginas de “O Falcão” mergulhava-se nas aventuras do luso-britânico major Alvega, a abater os aviões de Hitler, durante a Batalha de Inglaterra, com um Spitfire nas mãos! 

Quando se vislumbrava o reclame azul da PAN AM, numa das encostas do Reguengo do Fetal, onde ainda está, logo as viagens transatlânticas davam vida à paisagem. E os mais saudosistas podem saciar o imaginário com a série televisiva das hospedeiras da PAN AM, que, na altura, faziam sonhar o macho latino! Tudo com a mesma vontade de inovação com que se ia à Portela ver os Super Constellation e, mais tarde, os aviões a jacto!

Os autarcas sabem que nada é impossível, num País habituado a gastar dinheiro em projectos falhados e coisas mal amanhadas e não vamos falar do aeroporto de Beja nem do TGV. Em 1974, havia uns princípios de auto-estrada e, hoje, o País está no topo europeu, esquartejado por auto-estradas, em todos os azimutes, em grande parte suportadas por magníficas Parcerias Público-Privadas, que a gente paga mesmo que não utilize.

Recordemos a Linha do Norte, em obras desde 1995, onde já se gastaram mais de 1,5 mil milhões sem se conseguir aumentar a velocidade média de circulação ou a sempre esquecida Linha do Oeste!

Todos sabemos que o “sonho comanda a vida” e por isso se estranha que os autarcas, de concelhos quase sem problemas, não sejam mais audaciosos e passem a exigir um cosmódromo. Para um País que deu “novos mundos ao mundo,” a conquista do espaço não pode ser um limite!

Escrito de acordo com a antiga ortografia.

(Artigo publicado na edição de 10 de setembro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)